“Lucas Sinclair”
A porta se fecha e, de repente, o apartamento parece vazio demais.
Oliver continua fungando baixinho, encarando a porta fechada, e tudo o que consigo fazer é apertá-lo com mais força.
Ele levanta o rosto, me encarando com os olhinhos vermelhos e inchados.
— Papai… — murmura, com a voz embargada. — A Ivy foi embora porque… não gosta mais da gente?
A pergunta me faz engolir em seco, e meu coração aperta.
Não porque eu não saiba a resposta, mas porque ela escancara tudo o que mais tenho medo de pensar:
Que, mesmo tentando fazer tudo certo, eu não consegui mantê-la segura aqui. Que o mundo lá fora foi mais forte do que eu. E, o pior de tudo, que Oliver cresça acreditando que as pessoas a quem ele se apega sempre acabam partindo.
— Não é isso — respondo, acariciando os cabelos dele. — A Ivy te ama muito. Me ama muito. Mas, às vezes… as pessoas precisam se afastar por um tempo para as coisas melhorarem.
— Mas eu não quero que ela se afaste — ele soluça. — Eu quero ela aqui.
— Eu também — murmuro, controlando a voz trêmula. — Eu também quero.
— Então, se a gente se comportar direitinho… a Ivy volta mais rápido.
— Filho… — começo, procurando as melhores palavras. — A Ivy não foi embora porque fizemos alguma coisa errada, tá bom? Ela foi embora porque… porque as pessoas lá fora estão sendo muito chatas.
Ele assente, sem entender, mas finalmente se acalma um pouco.
— Vamos — digo, seguindo para a cozinha. — Precisamos tomar café da manhã.
Deixo Oliver sentado na bancada e começo a preparar a comida, mesmo sem ânimo algum.
Porque a cozinha ainda parece carregar a presença dela. Seja na caneca que Ivy usou ontem à noite, nas lembranças dela roubando algo enquanto eu cozinhava, ou nas vezes em que reclamei ao vê-la lavar a louça.
Ela está em cada canto.
Respiro fundo, me controlando para não desmoronar, e continuo mexendo a massa.
Logo faço as panquecas, que são suas preferidas, mas, quando coloco o prato na frente dele, meu filho mal toca na comida. Só empurra de um lado para o outro, com o olhar perdido.
— Filho, você precisa comer — tento convencê-lo.
— Não tô com fome, papai — ele murmura, baixinho.
Suspiro, passando a mão pelo cabelo, sem saber o que fazer. Não sei como consertar isso.
Porque a verdade é que eu também não estou bem. Também não quero comer, não quero fazer nada além de pegar o celular e ligar para Ivy, ouvir a voz dela, fingir por alguns segundos que nada disso está acontecendo.
Mas sei que, se fizer isso, só vou tornar tudo mais difícil.
Porque, por mais que esteja doendo, sei que essa foi a decisão mais sensata. A decisão que um de nós precisava tomar para a mídia parar de destruir a Ivy.
Mesmo que essa decisão me destrua no processo.
⋆ ˚。⋆୨୧˚
A manhã se arrasta.


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