“Algumas horas antes…"
"Lucas Sinclair”
É a terceira vez que vejo Blair na mesma semana.
Um verdadeiro recorde.
Talvez nem em cinco anos de casamento isso tenha acontecido. E, sinceramente, preferia que continuasse assim.
Observo Blair sentada no sofá, ao lado de Oliver, que está animado, falando sobre Júpiter e como seria legal morar em um planeta feito de gás.
— E aí tem a Grande Mancha Vermelha! — Oliver continua, empolgado, folheando o livro ilustrado.
— Muito interessante, querido — Blair responde, automaticamente, sem nem olhar para o livro.
Ela nem se dá ao trabalho de disfarçar. Mantém os dedos tamborilando impacientes no braço do sofá, e o olhar indo para o relógio a cada cinco minutos.
Tudo nela grita que preferia estar em qualquer outro lugar, menos aqui, ouvindo o próprio filho falar sobre planetas.
Aperto a mandíbula, lutando contra a vontade de mandá-la embora agora mesmo.
Mas sei que não posso. Porque, por mais irritante que seja, essas visitas são necessárias.
A primeira foi estratégica, mas não saiu como o esperado quando ela apareceu acompanhada do advogado.
Eles inventaram várias desculpas para circular pelo apartamento, claro.
Só que, em vez de encontrar evidências de que a Ivy ainda estava aqui, eles encontraram um apartamento sem rastro dela e um filho que mal olhou para a mãe.
A segunda visita foi porque Oliver perguntou, na frente do advogado, se ela poderia trazer um foguete de presente para ele no dia seguinte.
Blair não podia dizer não na frente de testemunhas. Não quando está tentando construir a narrativa de “mãe dedicada e injustiçada”.
Então ela veio, trouxe o foguete, ficou exatamente vinte e três minutos… e me deu exatamente o que eu queria na primeira visita: a indiferença de sempre.
E agora… a terceira. Essa não foi planejada, nem pedida. Blair simplesmente apareceu, sem avisar, dizendo que “precisava conversar comigo”.
Mas, pelo jeito que ela está agindo, claramente não é sobre Oliver.
— Oliver — chamo, e ele levanta o olhar do livro. — Que tal ir para o seu quarto? Preciso conversar com a sua mãe.
Ele assente, pula do sofá e corre para o quarto. Assim que estamos sozinhos, cruzo os braços e encaro Blair.
— O que você realmente veio fazer aqui, Blair? — pergunto, direto ao ponto.
— Vim fazer uma proposta — responde, se levantando e ajeitando o vestido.
— Proposta? Que tipo de proposta?
— Quero que vocês voltem para casa, Lucas — diz, sem rodeios. — Precisamos reatar esse casamento.
Fico em silêncio por um segundo, encarando-a, sem acreditar no que acabei de ouvir.
Então solto uma risada curta, incrédula.
— Você não pode estar falando sério.
— Estou completamente séria — ela responde, se aproximando. — Pensa bem. Imagina como ficaria a nossa imagem agora? “A família que resistiu à ganância alheia.” “O amor que sobreviveu às piores provas.” Seria perfeito.
— Perfeito — repito, balançando a cabeça. — Blair, você está mesmo pedindo para voltarmos depois de passar semanas me destruindo publicamente? Por que você quer isso?
Ela hesita, como se procurasse uma explicação convincente.
— Porque percebi que funcionamos melhor juntos do que separados. Que isso — ela gesticula entre nós — sempre funcionou. Você só estava cego demais para ver.



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