Minhas pernas tremem tanto que mal consigo ficar em pé. Lucas segura minha mão e me conduz até o sofá, se sentando ao meu lado.
— Lucas… — começo, sentindo a voz falhar. — Cadê o Liam? Como você encontrou o Ryan?
Lucas fecha os olhos por um segundo longo demais, e isso faz meu coração disparar.
— Além de pagar a dívida da sua casa, eu também coloquei um investigador atrás do seu irmão — ele explica, abrindo os olhos. — Ryan deixou poucos rastros desde que sumiu com o Liam. Até que, há alguns dias, ele deu entrada em um hospital na Filadélfia.
— Hospital? Por quê? — pergunto, nervosa. — O que aconteceu com ele?
— Ele foi espancado. Parece que devia dinheiro a algumas pessoas… erradas. E elas decidiram cobrar.
Engulo em seco, sentindo a náusea subir.
— E o Liam? — pergunto, com a voz trêmula. — Aconteceu alguma coisa com ele?
— Ele está bem — Lucas responde rápido, e finalmente consigo respirar. — Ele não estava com o Ryan quando tudo aconteceu.
Lucas hesita novamente, respirando fundo, como se escolhesse as palavras com cuidado antes de continuar.
— Ivy, o investigador que Owen contratou… descobriu por que Ryan fez tanta questão de levar o seu irmão.
— Por quê?
— Porque ele fez um seguro de vida de duzentos mil dólares alguns meses antes da sua mãe morrer — explica, com cuidado. — E colocou o Liam como beneficiário.
Meu estômago revira. Minha mãe lutou contra o câncer por meses. Sofreu. E ele… apostou na morte dela.
— Quando Olívia morreu, ele levou o Liam porque… como ele é menor de idade, Ryan precisava ser o tutor legal para acessar o dinheiro.
As lágrimas começam a escorrer descontroladamente.
— Ele… usou minha mãe. Usou o Liam…
— Eu sei — Lucas sussurra, me puxando para um abraço. — Eu sei, meu amor.
Desmorono contra ele, soluçando.
Porque, de todas as coisas horríveis que imaginei que Ryan poderia ter feito… isso é pior.
Ele não levou o Liam porque queria ser pai, nem porque sentia falta do filho.
Ele levou porque minha mãe virou um investimento.
E o Liam era a chave para o dinheiro.
— E… — ele continua, passando a mão na nuca. — Não sobrou nada do dinheiro. Ryan gastou tudo com jogos, drogas, mulheres… Não sobrou nada.
Solto uma risada amarga, incrédula.
— Claro. Claro que ele torrou tudo — murmuro, limpando as lágrimas. — Onde o Liam está? Quem estava cuidando dele enquanto… o Ryan gastava tudo?
— Ainda não sabemos se isso acontecia com frequência, mas… — ele responde, cauteloso. — Quando Ryan foi espancado, seu irmão estava sozinho em um apartamento. Um vizinho percebeu e chamou a polícia.
Minha respiração falha.
— Ele estava… sozinho? Por quanto tempo?

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