Quando finalmente consigo parar de chorar, Lucas limpa minhas lágrimas com o polegar, me encarando com aquela intensidade que sempre me desarma.
— Você vai ficar bem — ele murmura, roçando os lábios nos meus. — Nós vamos ficar bem.
Assinto, ainda sem conseguir falar direito.
Ele se inclina e me beija devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo. Como se estivesse me lembrando de que, não importa o caos lá fora, aqui, nos braços dele, estou segura.
— Cinco dias — sussurra contra minha boca. — Cinco dias longe de você foram uma tortura.
— Para mim também — respondo, roçando os lábios nos dele. — Eu senti tanto a sua falta…
Lucas me puxa para o colo dele, beijando meu pescoço, meu ombro, voltando aos meus lábios como se não conseguisse decidir onde quer estar.
— Nunca mais — murmura contra minha pele. — Nunca mais vou deixar você ir embora.
— Promete?
— Prometo — ele responde, me encarando. — Não importa o que aconteça. Você fica comigo. Sempre.
Sorrio, finalmente sentindo o aperto no peito diminuir um pouco.
Mas, antes que possamos continuar, ouvimos passos rápidos vindo da cozinha.
— Ivy! — Oliver grita, aparecendo correndo e se jogando em cima de nós.
Caímos para trás no sofá, e Oliver ri, se enfiando entre mim e Lucas.
— A tia Tiffany disse que posso ficar aqui esta noite! Posso mesmo?
— Claro que pode, astronauta.
— E a gente pode pedir pizza? — pergunta, empolgado, olhando para o pai. — Por favoooor, paizinho?
— Pizza? Você mal almoçou hoje, campeão.
— Mas eu adoro pizza — Oliver rebate, fazendo cara de cachorrinho pidão. — E a Ivy também adora, né, Ivy?
— Amo.
Lucas suspira, derrotado, e pega o celular.
— Pizza, então — ele cede, digitando.
Tiffany aparece na sala, secando as mãos em um pano de prato.
— Vocês vão pedir pizza?
— Sim! — Oliver responde, animado. — E vamos dormir aqui hoje! A Ivy deixou!
Tiffany levanta as sobrancelhas, olhando para mim.
— Sério?
— Parece que sim — murmuro, dando de ombros.
Ela ri baixinho e se senta na poltrona.
— Bom, espero que vocês se virem. Porque este apartamento não é muito espaçoso para alguém como… um CEO.
É só então que percebo.
Lucas Sinclair, o bilionário acostumado a mansões e apartamentos de cobertura, vai dormir aqui, em um apartamento de dois quartos onde a sala é do tamanho do closet dele.
— Lucas — chamo, hesitante. — Você… tem certeza de que quer ficar aqui?
Ele levanta o olhar, franzindo a testa.
— Por quê? — pergunta, confuso. — Não quer que eu fique?
— Não é isso — respondo rápido. — É só que… este lugar não é exatamente o que você está acostumado.
Lucas coloca o celular no sofá e se inclina na minha direção, segurando minha mão.
— Ivy, eu passei os últimos cinco dias dormindo em um apartamento vazio, sem você. Acredite, qualquer lugar onde você esteja é melhor do que aquilo.
A pizza chega e, claro, Oliver devora um pedaço inteirinho antes de desacelerar.
Tiffany conta histórias constrangedoras sobre nossos tempos em Ohio, e Lucas ri de um jeito que eu não o via rir há semanas.
É… normal. Leve. Exatamente o que eu precisava.
Quando terminamos, Tiffany se levanta, bocejando.
— Bom, vou dormir. Quando Oliver pegar no sono, pode colocá-lo na minha cama para vocês terem mais espaço no sofá — ela diz, com um sorrisinho malicioso. — Mas, por favor, não façam barulho. Tenho que acordar cedo amanhã.
— Tiffany! — exclamo, envergonhada.
— O quê? — Ela pergunta, inocente demais. — Só estou pedindo silêncio. Por que você está vermelha?
Lucas ri baixinho, e eu jogo uma almofada nela.
— Boa noite, pombinhos — ela murmura, piscando antes de desaparecer pelo corredor.
Alguns minutos depois, Oliver dorme no colo de Lucas. Então olho ao redor do apartamento minúsculo.
— Quer mesmo dormir aqui? — pergunto, curiosa. — No sofá?
— Quero — ele responde, como se fosse óbvio. — Durmo até no chão, se isso significar estar perto de você.
Sorrio, encostando a cabeça no ombro dele, observando Oliver dormir tranquilamente.
— Ele sentiu muito a sua falta — ele diz, baixinho. — Mal comia, mal falava… só ficava perguntando quando você ia voltar.
— Eu também senti falta dele — sussurro, acariciando os cabelos do pequeno. — De vocês dois.
— Então é bom você ir se acostumando. Porque não vai se livrar de nós tão fácil.
— Não quero me livrar — respondo, levantando o rosto para encará-lo. — Nunca quis.
Ele sorri, satisfeito com minhas palavras, e me beija devagar.
— Isso é bom — murmura, passando os dedos pelos meus cabelos. — Me poupa o trabalho de ter que te sequestrar.

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