“Lucas Sinclair”
Passaram-se quatro dias desde que finalmente consegui trazer Ivy de volta para casa. Quatro dias em que tentamos criar alguma normalidade no meio do caos.
Mas hoje… tudo se resolve.
Ajusto a gravata pela terceira vez, observando meu reflexo no espelho. O terno escuro, impecável. O cabelo arrumado. A postura controlada.
Por fora, pareço calmo. Por dentro, estou contando cada segundo para isso acabar logo.
— Papai, você vai trabalhar? — Oliver pergunta assim que chego à sala.
— Vou… resolver algumas coisas — respondo, me aproximando dele. — Mas volto logo, ok?
Ele assente e me abraça com força. Fecho os olhos por um segundo, o suficiente para lembrar por que estou indo para essa audiência.
Levanto devagar e vejo Ivy em pé, do outro lado da sala, nos observando. Linda, forte e, ainda assim, com aquela expressão preocupada que tenta esconder.
— Vai dar tudo certo — ela diz antes que eu fale qualquer coisa.
Me aproximo e seguro seu rosto, tentando acalmá-la com o gesto.
— Eu sei — respondo, simplesmente. — Porque me preparei para isso.
Me inclino e beijo sua testa primeiro. Depois, seus lábios, em um beijo calmo, demorado o suficiente para me lembrar pelo que estou lutando.
Quando me afasto, encosto minha testa na dela por um segundo.
— Independentemente do que acontecer lá… nada muda aqui. Entendeu?
Ela assente.
— Eu confio em você.
Essas quatro palavras fazem mais por mim do que qualquer advogado caro poderia fazer.
Pego as chaves sobre a mesa, ajusto o relógio no pulso e respiro fundo.
A guerra começa agora.
⋆ ˚。⋆୨୧˚
Quando chego ao tribunal, a imprensa já está acampada em frente ao prédio.
Fotógrafos, jornalistas, câmeras… todos esperando pelo “escândalo do ano”.
Saio do carro, ajeito os óculos escuros e caminho direto para a entrada, ignorando os flashes e as perguntas gritadas.
— Sr. Sinclair! Vai assumir seu relacionamento com a babá?
— Vai tentar conseguir a guarda de Oliver?
— Blair disse que o senhor é um pai ausente. O que tem a dizer?
Ignoro as perguntas e continuo andando, mantendo a postura firme e o rosto impassível.
Quando finalmente entro, Owen já está me esperando ao lado de Martin Hayes, o advogado especializado em direito de família que vai me representar hoje.
Martin tem cinquenta e poucos anos, cabelos grisalhos perfeitamente penteados e uma reputação impecável.
Se alguém pode bater de frente com Dominic Hale e destruir Blair no tribunal, é ele.
— Sr. Sinclair — Martin cumprimenta, estendendo a mão. — Pronto?
— Mais do que pronto — respondo, apertando-a.
— Ótimo. Porque Blair já está lá dentro. E, como esperado, veio preparada para o show.
Respiro fundo e entramos na sala de audiência.
Blair está sentada do outro lado, impecável como sempre. Vestido cinza-claro, cabelos presos em um coque baixo, maquiagem leve.
A imagem perfeita da “esposa traída e devastada”.
— Excelência, antes de tratarmos de qualquer alegação de traição, precisamos esclarecer a natureza deste casamento. Porque o que a outra parte chama de “família” era, na verdade, um arranjo societário.
Martin abre a pasta, retira um documento e entrega cópias ao juiz e ao advogado de Blair.
— Um acordo entre duas famílias, com interesses patrimoniais claros — ele continua, firme. — E, como prova disso, apresento o acordo pré-nupcial assinado por ambas as partes.
Ele entrega a cópia ao juiz, que começa a ler.
— Como os senhores podem ver, há separação total de bens, proteção patrimonial de ambos os lados e ausência completa de cláusula de dependência financeira. Porque, desde o início, este nunca foi um casamento baseado em amor ou compromisso emocional. Foi um acordo comercial.
O juiz continua lendo em silêncio.
Blair deixa a máscara de vítima cair por um momento e me encara com ódio. Ela realmente acreditou que eu continuaria seguindo a cláusula de confidencialidade?
Ingênua.
Porque ver a expressão dela agora vale cada centavo da multa que sei que terei de pagar.
— E, embora não conste explicitamente no pré-nupcial, as partes acordaram, de forma clara, liberdade quanto às suas vidas pessoais. Poderiam se relacionar com outras pessoas, desde que mantivessem sigilo e as aparências públicas.
— Isso é mentira! — Blair explode, levantando-se. — Isso nunca existiu! Ele está inventando isso para justificar a traição!
— Sra. Sinclair — o juiz adverte, firme. — Sente-se.
Ela hesita, respirando pesadamente, mas obedece. O advogado dela se levanta rapidamente.
— Excelência, minha cliente nega veementemente qualquer acordo desse tipo. Não há prova documental disso.
Martin sorri, um sorriso pequeno. Quase perigoso.
— Não há prova documental — ele concorda. — Mas há uma gravação.
Blair empalidece.
E eu, pela primeira vez desde que entrei aqui… sorrio.

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