O advogado de Blair se levanta imediatamente, erguendo a mão.
— Excelência, solicito que essa gravação não seja admitida como prova. Não houve consentimento da minha cliente para que fosse gravada.
— O apartamento pertence ao meu cliente — Martin responde, calmo. — As câmeras de segurança são registradas e legais. A gravação não foi editada e será apresentada na íntegra. Não há nada de irregular aqui.
O juiz analisa os documentos por alguns segundos antes de assentir.
— A gravação será admitida. Pode proceder.
O advogado de Blair se senta, visivelmente tenso. Ela, por outro lado, permanece imóvel, com os dedos cravados na borda da mesa.
Martin faz alguns ajustes, e logo a voz dela ecoa pela sala.
— Oliver, querido, como você está?
A voz é fria, naquele tom que soa mais como obrigação do que interesse real.
As imagens mostram tudo o que aconteceu naquela tarde. Desde Oliver exibindo o livro ilustrado até o rosto entediado de Blair o tempo todo.
O juiz franze levemente a testa enquanto observa.
A gravação avança até o momento em que Oliver sai da sala, nos deixando a sós. Então vem a proposta de “reconciliação”, as falas sobre a nossa imagem pública…
Nada sobre Oliver. Nada sobre amor. Nada sobre família de verdade.
E então… minha voz.
— Você foi a hipócrita aqui, Blair. Fez todo esse circo porque me envolvi com a Ivy, mas foi a primeira a se envolver com o seu motorista. Ou estou mentindo?
Blair arregala os olhos imediatamente e desvia o olhar para o juiz. Porque ela sabe, assim como eu, que o silêncio dela, a falta de negação, confirma exatamente o que falei.
Quando a porta do apartamento se fecha e a gravação termina, o clima da sala muda completamente.
A máscara de Blair cai de vez.
O advogado dela se levanta rapidamente, tentando salvar o que pode.
— Excelência, essa gravação foi tirada completamente de contexto. Minha cliente foi surpreendida, pressionada. Não reflete a realidade dos fatos.
Martin se prepara para responder, mas o juiz levanta a mão.
— A gravação foi admitida e considerada.
Ele faz uma anotação.
— Mas reitero: a moral conjugal não é o foco desta audiência. O que importa aqui é o bem-estar do menor. Vamos prosseguir com as questões de guarda.
Martin se levanta.
— Excelência, gostaria de chamar a primeira testemunha: Sra. Amélia Mallory.
A porta lateral se abre, e Amélia, a governanta da mansão, entra com a postura ereta e o rosto sereno.
Ela se senta na cadeira destinada à testemunha e é orientada a prestar juramento.
— Sra. Mallory — meu advogado começa, com calma —, há quanto tempo a senhora trabalha na residência dos Sinclair?
— Cinco anos — ela responde, com voz firme. — Desde que o Sr. Sinclair e a Sra. Sinclair se casaram.
— Durante esses anos de trabalho, a senhora teve contato diário com o menor, Oliver?
— Sim. Diariamente.
— Pode nos descrever a rotina dele? Quem cuidava das necessidades do menino?
A governanta respira fundo, se preparando.
— O Sr. Sinclair sempre foi muito presente. Acordava com Oliver, tomava café da manhã com ele sempre que possível. Quando estava viajando a trabalho, o pequeno Oliver ficava comigo ou com a babá.
— E a Sra. Sinclair?
A Sra. Mallory hesita por um segundo.
— A Sra. Sinclair… raramente participava da rotina. Quando Oliver acordava, ela continuava no quarto. Quando ele ia dormir, muitas vezes ela já estava em eventos ou compromissos sociais.
— A Sra. Sinclair tem compromissos frequentes?
— Sim, senhor.
— Poderia especificar?
— A Sra. Sinclair viaja com frequência — ela responde, olhando brevemente para o juiz. — Às vezes, por dias. Outras vezes, por semanas.



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