“Ivy Collins”
Olho para o relógio pela milésima vez. Três e vinte da tarde.
A audiência começou há mais de três horas, e cada minuto que passa parece uma eternidade.
Caminho de um lado para o outro na sala, roendo as unhas, incapaz de parar no mesmo lugar por mais de dois minutos.
— Ivy! — Oliver me chama, interrompendo meus pensamentos. — Olha! O T-Rex venceu o Tricerátops!
O pequeno está no tapete, cercado de dinossauros de brinquedo e foguetes espalhados, completamente alheio à tensão que sufoca o ambiente.
Alheio ao fato de que, neste exato momento, seu futuro está sendo decidido.
Forço um sorriso e me sento no chão ao lado dele.
— Que incrível, astronauta. O T-Rex é muito forte mesmo, né?
— É! — ele exclama, empolgado, pegando outro dinossauro. — Agora ele vai lutar contra o Velociraptor e o meteoro!
Observo Oliver brincar, com o coração apertado.
Porque, não importa o que aconteça hoje, ele não deveria estar no meio disso. Ele deveria apenas… ser uma criança.
Meu celular vibra no sofá, e pulo imediatamente para pegá-lo. Mas é só uma notificação do banco.
Suspiro e jogo o celular de volta.
Respiro fundo, tentando me acalmar.
Vai dar tudo certo. Lucas disse que ia dar tudo certo.
Mas e se não der?
E se o juiz acreditar na versão de Blair? E se achar que Lucas foi irresponsável? E se…
O som da porta do elevador se abrindo me faz pular.
Lucas entra, afrouxando a gravata, soltando um suspiro baixo sem olhar para mim. Caminha até o aparador, larga as chaves ali e passa a mão pelo cabelo.
Meu estômago afunda.
Não. Não, não, não.
— Lucas? — chamo, com a voz trêmula, levantando devagar.
Ele continua de costas, respirando fundo.
— Está… está tudo bem? — pergunto, sentindo as pernas tremerem.
Porque a forma como ele está agindo… parece que algo deu errado.
Ele perdeu a guarda. Blair ganhou. Vão tirar Oliver dele.
As lágrimas começam a queimar nos meus olhos, e dou um passo na direção dele.
— Lucas, por favor, me fala o que aconteceu.
Ele finalmente se vira para me encarar… e sorri. Um sorriso genuinamente feliz.
— Ganhamos! — diz, sorrindo ainda mais. — Oliver fica com a gente.
Meu coração para.
— O quê?
— O juiz decretou guarda compartilhada — ele continua, largando o paletó no sofá e caminhando até mim. — Mas Oliver vai morar comigo. Com a gente.
Processo as palavras por um longo segundo.
E então… explodo.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO