“Ivy Collins”
Minhas mãos não param de tremer.
Entrelaço os dedos no colo, tentando acalmar os nervos, mas é inútil. Meu coração está disparado desde que acordei hoje de manhã.
Não acredito que vou ver o Liam.
— Ivy — Lucas me chama, tirando uma mão do volante para segurar a minha. — Respira.
— Estou respirando — murmuro, mesmo sabendo que minha respiração está claramente irregular.
Ele sorri de canto, sem tirar os olhos da estrada.
Estamos a caminho de Filadélfia. Finalmente.
Os últimos três dias foram uma tortura silenciosa.
Tentei me manter ocupada. Brinquei com Oliver, arrumei a casa, assisti a filmes… mas nada tirava a ansiedade do peito.
Todas as noites, eu me deitava e ficava imaginando como seria o reencontro. Se Liam vai me reconhecer. Se estará bem. Se cresceu muito nesses meses.
— Você está tremendo — Lucas diz, apertando minha mão. — Vai dar tudo certo, meu amor. Você vai ver seu irmão, e ele vai ficar tão feliz.
Assinto, tentando acreditar nisso.
— Oliver ficou direitinho com a Sophia? — pergunto, mudando de assunto porque não aguento mais pensar nisso.
— Depois que ela prometeu levá-lo ao cinema, com pipoca e chocolate, ele nem se lembrou de mim.
— Ele vai adorar.
— Vai — ele concorda, sorrindo. — E, quando voltarmos, vamos contar para ele sobre o coleguinha novo.
Sorrio, sentindo o coração aquecer.
Liam vai voltar e encontrar uma família de verdade. Comigo, Lucas e Oliver.
Alguns minutos depois, chegamos ao escritório do serviço social da Filadélfia.
Owen já está esperando na frente do prédio, encostado no carro, mexendo no celular.
Quando nos vê, guarda o aparelho e sorri.
— Pontual como sempre — diz, quando saímos do carro.
— Não podíamos nos atrasar hoje — Lucas responde, apertando a mão do amigo.
— Como está se sentindo, Ivy? — Owen pergunta, voltando-se para mim.
— Nervosa — admito, mordendo o lábio. — Muito nervosa.
— É normal. Mas vai correr tudo bem. Prometo.
Entramos no prédio, e Owen nos leva até uma sala no segundo andar, onde uma mulher de uns quarenta anos nos espera.
— Srta. Collins? — Ela pergunta, levantando-se quando entramos.
— Sim — respondo, apertando sua mão.
— Meu nome é Rebecca Lancaster. Sou a assistente social responsável pelo caso do Liam — ela explica, sorrindo. — Por favor, sentem-se.
Nos acomodamos nas cadeiras à frente da mesa, e Rebecca abre uma pasta.
— Antes de irmos até a casa, preciso atualizá-los sobre a situação — ela começa. — Liam está sob custódia do estado desde que foi encontrado sozinho no apartamento. Ele passou por avaliação médica e psicológica e, fisicamente, está bem.
— E emocionalmente? — pergunto, sem esconder a ansiedade.
— Ele está… processando — responde, hesitante. — É uma criança resiliente, mas houve trauma. Ficar sozinho por três dias, sem saber onde o pai estava… isso deixou marcas.
Fecho os olhos, sentindo a culpa apertar meu peito.
— Mas ele está sendo bem cuidado pela família Foster — continua, em tom mais suave. — Eles já acolheram diversas crianças ao longo dos anos e têm um histórico excelente. Liam está seguro e amparado.
— É um prazer conhecê-los — diz, olhando especialmente para mim. — Liam fala muito de você.
Minha garganta aperta.
— Onde… ele está? — consigo perguntar.
— No quintal — responde, apontando para os fundos da casa. — Estava ansioso, então meu marido o levou para brincar um pouco.
Sigo a Sra. Foster pela sala, com Lucas e Owen logo atrás.
Quando chegamos à porta que dá para o quintal, ela para e se vira para mim.
— Ele está bem, querida — diz, com um sorriso suave. — Mas vá devagar, está bem?
Assinto, respirando fundo, enquanto ela abre a porta.
Quando meus olhos encontram o balanço, meu coração erra uma batida.
Meu Liam.
Meu irmãozinho balança as pernas no ar, enquanto um senhor de cabelos grisalhos o empurra de leve.
Como se sentisse minha presença, ele olha na minha direção… e para. Os olhos se arregalam e a boca se abre.
— Ivy? — Ele sussurra, pulando do balanço.
Meu coração explode, e é impossível não chorar. Liam corre na minha direção, e eu me abaixo, abrindo os braços.
Ele se j**a em mim com tanta força que quase caímos para trás.
Meu irmão parece mais alto, mais pesado nos meus braços. E isso me faz perceber o quanto eu perdi.
— Ivy! — soluça, agarrando meu pescoço. — Você veio! Você veio mesmo!
— Eu vim, meu amor — sussurro, apertando-o com força. — Eu vim. E nunca mais vou deixar você.

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