Desvio o olhar rapidamente, fingindo não ter percebido. Mas, quando a assistente ajeita a bolsa no ombro e olha o relógio, é impossível ignorar.
É hora de ir embora. Sem Liam.
Respiro fundo, tentando me preparar, mas não há preparação possível para isso.
Com as mãos trêmulas, paro de empurrar o balanço e vou para a frente dele, forçando um sorriso.
— Liam — chamo, me abaixando diante dele. — Eu… preciso ir.
O sorriso desaparece, e os olhos se enchem de lágrimas no mesmo instante.
— Não — ele sussurra, balançando a cabeça. — Fica mais um pouco. Só um pouquinho.
— Eu não queria que fosse assim, meu amor — sussurro, engolindo em seco. — Mas prometo que volto, está bem? Sábado estou de volta.
— Promete? — ele pergunta, com a voz trêmula. — Promete mesmo?
Levanto a mão, ainda trêmula, e entrelaço nossos dedinhos.
— Prometo de mindinho — respondo, segurando o choro. — E prometo que, em poucas semanas, você vai poder morar comigo. Para sempre.
— Pra sempre? — repete, limpando as lágrimas com as costas da mão.
— Pra sempre — confirmo, acariciando o rosto dele. — Você, eu, o Lucas e o Oliver. Vamos ser uma família de verdade.
Ele assente e se j**a nos meus braços, chorando ainda mais.
— Eu não quero que você vá, Ivy.
Aperto meu irmão com força e fecho os olhos, tentando gravar cada segundo.
O cheiro do cabelo dele. O jeito como segura meu pescoço. A respiração trêmula contra meu ombro.
— Eu também não quero ir — sussurro, deixando as lágrimas caírem. — Mas eu sempre vou voltar.
Ficamos assim por alguns segundos, até que sinto a mão de Lucas no meu ombro, como se tentasse me dar força.
Respiro fundo e me afasto, enxugando as lágrimas.
— Você vai ficar bem aqui, ok? A Sra. Foster e o Sr. Foster são muito legais. E, quando eu voltar no sábado, você me conta tudo o que aconteceu esta semana. Combinado?
— Combinado — ele murmura, fungando.
Beijo a testa dele e me levanto, segurando sua mão até o último segundo.
Quando finalmente solto, Liam dá um passo para trás, com os ombros caídos, e meu coração se parte.
A Sra. Foster se aproxima e coloca a mão no ombro dele.
— Vamos, querido — diz, com um sorriso acolhedor. — Vamos fazer um lanche.
Liam assente, mas não tira os olhos de mim.
— Tchau, Ivy — ele sussurra.
— Tchau, meu amor — respondo, com a voz embargada. — Te amo.
— Também te amo.
Viro de costas antes de desabar completamente e caminho rápido até a calçada. Quando chegamos aos carros estacionados, me viro para Rebecca.
— Srta. Lancaster — chamo, hesitante. — Posso fazer uma pergunta?
— Claro — ela responde, gentil.
Ele assente, claramente sem acreditar muito, e começa a dirigir.
Enquanto nos afastamos, olho pelo retrovisor e vejo a casa ficando cada vez menor. E, no instante em que ela desaparece completamente, eu desmorono.
Enterro o rosto nas mãos e choro. Choro de alívio por ter visto Liam. De dor por deixá-lo para trás. De medo de que algo dê errado.
Imediatamente, Lucas encosta o carro no acostamento e me puxa para seus braços.
— Calma, meu amor — sussurra, acariciando meus cabelos. — Você fez tudo certo. Liam sabe que você o ama.
— Eu só… não aguento mais ficar longe dele — solto, entre soluços. — Não aguento.
— Eu sei — ele murmura, beijando minha testa. — Mas, em algumas semanas, ele vai estar em casa. Prometo.
Fico nos braços dele por alguns minutos, tentando me acalmar, até finalmente conseguir respirar direito.
— Desculpa — murmuro, me afastando e limpando o rosto. — Eu sou um desastre.
— Você não é um desastre — ele rebate, acariciando meu rosto. — Você é uma irmã incrível que está lutando por alguém que ama. E eu tenho muito orgulho de você.
Sorrio em meio às lágrimas.
Ele beija minha testa mais uma vez antes de voltar a dirigir.
Seguimos em silêncio por alguns minutos, até que Lucas olha rapidamente para mim.
— Tenho uma surpresa para você — diz, voltando os olhos para a estrada.
— Que tipo de surpresa? — pergunto, curiosa.
— Se eu contar, deixa de ser surpresa, minha atrevida — ele responde, rindo. — Mas prometo que você vai gostar.

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