“Lucas Sinclair”
São três da tarde quando Owen entra no meu escritório. Rosto tenso, sobrancelhas franzidas… a personificação do receio.
— Ele já chegou? — pergunto, mesmo sabendo a resposta.
— Acabou de chegar. E veio sozinho.
— Sem advogados?
— Sem advogados — ele confirma, se sentando. — Isso pode ser bom ou ruim, dependendo de como você encare.
Me recosto na cadeira, pensando.
Alfred Knight vindo sozinho pode significar duas coisas: ou ele quer uma conversa direta, sem intermediários, ou está tão confiante que não precisa de ninguém para me intimidar.
Provavelmente as duas.
Minha secretária aparece logo em seguida.
— Sr. Sinclair, o Sr. Knight chegou — ela anuncia.
— Pode mandá-lo entrar — respondo, endireitando a postura.
Pouco depois, a porta se abre novamente, e Alfred entra com a postura ereta e expressão fria. Não sorri nem me cumprimenta. Apenas caminha direto até a poltrona ao lado de Owen e se senta, como se fosse dono do lugar.
— Alfred — digo, com um leve aceno de cabeça.
— Lucas — ele responde, no mesmo tom neutro. — Presumo que você saiba por que estou aqui.
— Tenho uma boa ideia — respondo, entrelaçando os dedos sobre a mesa. — Mas, por favor, sinta-se à vontade para esclarecer.
Ele me encara por um longo momento, como se medisse cada palavra.
— Você humilhou minha filha publicamente — começa, sem elevar a voz. — Expôs nossa família como uma farsa. Transformou o nome Knight em piada de tribunal.
— Não foi minha intenção transformar nada em piada — respondo, com calma. — Apenas defendi meu direito de ter meu filho comigo. E, para isso, precisei expor a verdade sobre o casamento.
— Você chama de verdade destruir a reputação da minha família? — ele pergunta, com um sorriso frio. — Porque eu chamo de quebra contratual.
— O contrato de confidencialidade? — digo, levantando a sobrancelha. — Imaginei que chegaríamos a isso.
— Você poderia ter resolvido isso discretamente, Lucas — ele diz, se inclinando para frente. — Mas escolheu o escândalo e, consequentemente, a violação dessa cláusula.
— Blair escolheu o escândalo quando decidiu fingir ser a esposa traída e usar meu filho como arma — respondo, firme. — Eu apenas reagi. E estou ciente das consequências da quebra.
— Ótimo — ele responde, abrindo a pasta que trouxe e retirando alguns documentos. — Então você não vai se surpreender quando eu cobrar cada centavo da multa estipulada.
Ele coloca os papéis sobre a mesa. Pego todos e olho rapidamente.
Cinquenta milhões de dólares.
Owen se move levemente ao meu lado, mas permanece em silêncio.
— Cinquenta milhões. Justo — murmuro, voltando a encarar Alfred. — Eu sabia o que estava fazendo quando expus a verdade. Sabia que haveria um preço. E estou disposto a pagar.
Me recosto na cadeira enquanto ele me observa por alguns segundos.
— Você realmente acha que pagar uma mixaria como multa resolve tudo? — pergunta, erguendo a sobrancelha.
— Não — respondo, calmo. — Sei que você vai tentar muito mais do que isso.
Por fim, Alfred respira fundo, controlando a raiva, e se levanta.
— Espero que aquela garota valha tudo o que está por vir — diz, com desdém. — Porque, de um jeito ou de outro, virá.
— Ela vale — respondo, me levantando também. — E muito mais.
Ele solta uma risada seca, balança a cabeça e se vira para sair. A porta se fecha com um clique baixo, mesmo que ele esteja furioso. E, de alguma forma, isso é mais intimidador.
Assim que ficamos a sós, Owen solta um assobio baixo.
— Porra, Lucas — murmura, passando a mão pelo cabelo. — Você realmente não tem medo dele, tem?
— Tenho — admito, afastando-me da mesa. — Mas, se eu deixar que Alfred perceba isso, ele monta em mim.
— Ele vai tentar algo — Owen diz, sério. — Você sabe disso.
— Sei — concordo, me servindo um pouco de whisky. — Mas ele vai falhar. Porque eu não sou o mesmo homem que assinou aquele contrato há cinco anos.
Owen assente, ainda preocupado.
— Você realmente vai pagar cinquenta milhões? Podemos recorrer e…
— Vou — interrompo, dando um gole. — Porque vale cada centavo para ter minha vida de volta.
Ele sorri, balançando a cabeça.
— Ivy tem sorte de ter você.
— Não — rebato, olhando pela janela. — Eu tenho sorte de ter a mulher que finalmente me fez perceber o quanto eu estava desperdiçando minha vida.

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