Acordo com a luz do sol invadindo o quarto. Viro para o lado e encontro a cama vazia. Lucas já levantou.
Me espreguiço, sentindo os músculos relaxarem, e me levanto devagar. Pego o roupão pendurado na cadeira e caminho até a janela, onde consigo ver todo o quintal.
A piscina coberta reflete o brilho da manhã, e o gramado parece ainda mais verde sob o sol.
Cinco dias morando aqui, e ainda não me acostumei com essa vista tão diferente do apartamento cercado por prédios.
Saio do quarto e desço as escadas, decidida a tomar café antes de me arrumar e ir visitar o Liam.
Quando entro, encontro a Sra. Hargrove cuidando do fogão, enquanto Lucas está sentado à bancada com Oliver ao lado, tomando café da manhã.
— Bom dia — digo, sorrindo.
— Bom dia, Ivy! — Oliver exclama, com a boca cheia.
— Bom dia, dorminhoca — Lucas provoca, se levantando e segurando minha cintura. — Dormiu bem?
— Melhor do que nos últimos meses — admito, apoiando a cabeça no ombro dele.
— Srta. Collins — a Sra. Hargrove chama, simpática. — Vai querer café? Fiz panquecas.
— Café, por favor — respondo, sentando ao lado de Oliver. — As panquecas dele já parecem suficientes para alimentar a casa inteira.
Oliver ri e pega mais uma.
— A Sra. Hargrove faz as melhores panquecas do mundo inteiro! — exclama, lambendo o canto da boca.
Lucas volta para o banco, pega o tablet e desliza o dedo pela tela.
— Você vai comigo hoje? — pergunto, levando a xícara aos lábios. — Porque se estiver ocupado, posso pedir um…
— Vou com você — responde, deixando o tablet de lado. — Vocês são minhas prioridades e não há nenhum compromisso que me impeça de ir contigo.
Sorrio, sentindo meu coração quentinho, e volto a tomar o café.
Pouco depois, Oliver termina de comer e olha para o quintal.
— Papai, posso ir brincar lá fora?
— Pode. Mas fica longe da piscina sem adulto, combinado?
— Combinado! — ele grita, já correndo em direção à porta dos fundos.
Balanço a cabeça, rindo, e termino meu café.
— Vou dar uma volta pela casa — aviso, levantando. — Ainda tem alguns cantos que não explorei direito.
— Quer companhia? — Lucas pergunta.
— Não precisa. Fica aí aproveitando sua leitura matinal — respondo, beijando sua bochecha antes de sair.
Caminho pelos corredores, observando cada detalhe. A casa é enorme e, de algum jeito, consegue ser acolhedora.
Subo as escadas até o segundo andar e paro diante do quarto que será do Liam. Empurro a porta devagar e entro.
O cômodo ainda está praticamente vazio, apenas a cama no centro e duas mesas de cabeceira. Mesmo assim, já consigo imaginar tudo.
Paredes em azul claro, prateleiras cheias de livros e brinquedos, edredons macios, algumas pelúcias espalhadas pela cama…
— Esse é o quarto do Liam?
A voz de Oliver me faz sobressaltar.
Viro e o encontro parado na porta, mãos escondidas atrás das costas, me observando em silêncio.
— É — respondo, sorrindo. — O que achou?
Ele entra devagar, percorrendo os olhos pelo espaço.
Desço as escadas e encontro Lucas na sala, sentado no sofá, com o tablet apoiado na coxa.
— Está tudo bem? — pergunta ao me ver, levantando o olhar.
— Sim — respondo rápido demais, sentando ao lado dele. — Por quê?
— Você parece preocupada — comenta, arqueando a sobrancelha.
— Estou ótima — digo, forçando um sorriso. — Só estava pensando no que ainda precisamos comprar para o quarto dos meninos.
Lucas me observa por alguns segundos, como se avaliasse a resposta, mas decide não insistir.
— Amanhã à noite tem um evento beneficente — comenta, mudando de assunto. — Um leilão de arte em prol de uma fundação que atende crianças carentes.
— E você vai?
— Preciso. A Sinclair Corp é uma das patrocinadoras. — Ele suspira. — Por mais que eu deteste esse tipo de evento, faltar seria… mal visto. E eu quero que você vá comigo.
— Lucas… não sei se é uma boa ideia — admito, escolhendo as palavras com cuidado. — Vai ter gente lá que me odeia. Que ainda acha que destruí sua família e…
— E daí? — ele interrompe, firme. — Eu já deixei claro que você não destruiu nada. E vou estar ao seu lado o tempo todo.
— Mas…
— Nada de “mas”. — Acaricia meu braço com o polegar. — Você é minha mulher. Minha família. E quero que todos saibam disso.
Meu rosto esquenta, e ele ri baixo antes de me beijar.
— Então? Vai comigo?
Respiro fundo, reunindo coragem. Não adianta fugir. Lucas é uma figura pública e, se vou dividir a vida com ele, preciso estar ao lado dele. Em tudo.
— Tudo bem — murmuro, por fim. — Eu vou.

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