Olho para o relógio pela terceira vez em menos de cinco minutos.
Seis da tarde.
O evento começa às oito, e eu ainda estou de roupão, cabelo molhado e me perguntando como vou conseguir me arrumar a tempo.
— Para de encarar o relógio — Tiffany me repreende, revirando os olhos. — Você está me deixando ansiosa.
— Desculpa — murmuro, voltando a enxugar o cabelo. — É que… eu não faço a menor ideia do que estou fazendo.
— É por isso que estou aqui — ela responde, com um sorriso confiante. — Embora, sinceramente, você nem precise de mim. Tem duas profissionais prontas para te transformar em realeza.
— Duas — repito, balançando a cabeça. — Eu disse ao Lucas que você ia me ajudar. E o que ele faz? Contrata as melhores de Manhattan.
— Isso não é exagero — ela rebate, como se fosse óbvio. — Você vai aparecer no evento mais exclusivo de Nova York ao lado de Lucas Sinclair. Precisa estar impecável.
— Sem pressão nenhuma, né? — murmuro, jogando a toalha sobre a cadeira.
— Zero pressão — ela responde, piscando.
Alguns minutos depois, a Sra. Mallory surge no quarto de hóspedes onde estamos, acompanhada por duas mulheres e uma mala enorme.
Uma delas, loira, com o cabelo preso em um coque perfeito, sorri ao me ver.
— Você deve ser a Ivy — diz, estendendo a mão. — Sou Camille, a cabeleireira.
— Prazer — respondo, apertando sua mão.
A outra, de pele morena e olhos escuros, se aproxima.
— E eu sou Skyler, maquiadora — ela se apresenta. — Vamos garantir que você roube a cena esta noite.
— Obrigada por terem vindo — digo, um pouco sem jeito.
— O prazer é nosso — Camille responde, já apontando para a cadeira da penteadeira. — Agora sente aí. Temos um cronograma a cumprir.
Obedeço, me sentando enquanto Tiffany se j**a na cama, assistindo a tudo como se fosse um reality show particular.
Skyler começa a organizar os pincéis e paletas sobre a mesa. Camille passa os dedos pelo meu cabelo, analisando.
— Você tem um cabelo lindo — ela comenta, penteando os fios. — Vamos fazer ondas soltas. Algo natural, mas sofisticado, tudo bem?
— Perfeito — concordo, sem fazer ideia do que ela está falando.
Enquanto ela começa a trabalhar no meu cabelo, Skyler organiza pincéis e paletas sobre a penteadeira.
— Qual é a cor do vestido? — pergunta.
— Verde-esmeralda — respondo, lembrando da peça pendurada no closet.
— Ótimo — diz, sorrindo. — Vou manter uma maquiagem clássica para equilibrar. Olhos mais marcados, lábios em tom nude… Confie em mim, você vai ficar deslumbrante.
Assinto, ainda meio perdida com tudo.
As duas trabalham ao mesmo tempo, trocando comentários técnicos que finjo entender. Decido apenas relaxar e deixar que façam o que sabem.
Tiffany, mesmo mexendo no celular, não para de fazer comentários.
— Você vai arrasar, Ivy — ela diz, empolgada. — Sério, as mulheres vão morrer de inveja.
— Não quero que ninguém morra de inveja — murmuro, revirando os olhos. — Só quero… sobreviver à noite.
Depois do que parecem horas, mas provavelmente foram uns quarenta minutos, Camille finalmente termina.
— Pronto — anuncia, satisfeita. — Pode olhar.
Ela gira a cadeira em direção ao espelho… e eu fico sem reação.
— Ivy… — ela sussurra, com os olhos brilhando. — Você está absurda.
Solto uma risada nervosa.
— Obrigada por me ajudar, Tiff. Eu jamais conseguiria vestir isso sozinha.
— Eu sei. Sou praticamente um patrimônio histórico na sua vida — ela brinca. — Agora vamos. Seu namorado já deve estar surtando lá embaixo.
Desço as escadas com cuidado, segurando a barra do vestido. Quando chego à sala, Lucas está de costas, ajustando a gravata diante do espelho.
O smoking preto cai perfeitamente em seu corpo, os cabelos escuros penteados para trás e aquela presença que faz qualquer ambiente parecer pequeno.
Ele está lindo, como sempre.
— Estou pronta — digo, baixo.
Ele se vira… e para.
Os olhos percorrem meu rosto, descem pelo vestido, sobem novamente. Admirando cada detalhe sem pressa.
— Ivy, você está… — ele começa, se aproximando. — Eu nem tenho palavras.
— É o vestido — respondo, meio sem jeito. — O mesmo que você comprou. Lembra?
— Claro que lembro — diz, parando na minha frente e segurando minhas mãos. — E finalmente posso te ver usando como deveria. Você está perfeita.
Meu rosto esquenta.
— Pronta? — pergunta, num tom baixo.
— Sim — murmuro, tentando acalmar os nervos.
— Então vamos — diz, entrelaçando nossos dedos. — Temos um evento para enfrentar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO