Apoio os cotovelos no parapeito da varanda e observo o quintal, sentindo um misto de felicidade e insegurança.
O sol da manhã ilumina a grama ainda úmida, enquanto Oliver corre de um lado para o outro, em modo apresentação total, já que ontem não teve tempo para isso.
Ele mostra cada canto do quintal com uma animação admirável, gesticula sem parar e explica tudo com aquela seriedade que sempre me faz rir.
Liam o segue, mas bem mais calmo que o pequeno astronauta. Olha com atenção cada coisa que Oliver aponta, sempre com as mãos nos bolsos. E é isso que me incomoda.
Porque o Liam que vejo agora não é o Liam que eu conhecia. Meu irmão nunca andou assim. Ele corria, tropeçava, gritava, pulava…
Essa versão parece existir como se estivesse sempre pedindo licença para ocupar espaço.
— Esse é o jardim — ouço Oliver dizer, muito sério. — A Sra. Mallory diz que não pode mexer nessas… não sei o nome dessas flores.
— É uma hortênsia — Liam diz, baixinho, apontando para uma delas.
Oliver abre a boca. Fecha. Abre de novo.
— Como você sabe isso?
— Minha mãe gostava de plantas — meu irmão responde, encolhendo os ombros. — Ela me ensinou.
Engulo em seco, observando a cena.
Oliver fica em silêncio por um segundo, o que, para ele, é quase um milagre, e então assente, ainda mais atento.
— Legal. Então você pode ser nosso jardineiro. Vou falar com o papai para ele te dar esse emprego, Liam.
Meu irmão esboça um sorriso pequeno, mas verdadeiro. E finalmente solto o ar.
Saio da varanda e vou até a cozinha. Pego dois copos de suco e levo para o quintal, entregando um para cada um.
Oliver pega o dele imediatamente e bebe quase tudo de uma vez. Liam segura o copo com as duas mãos, como se tivesse medo de derramar, e me olha.
— Está gostando? — pergunto, me agachando na altura dele.
— Tô — responde. — É bonito aqui.
— É sua casa agora, Liam. Você pode gostar sem culpa, sem medo de ter que ir embora — digo, com cuidado. — Também pode mexer nas coisas e ir onde quiser.
Ele me encara por um segundo mais longo do que o normal, depois bebe um pouco do suco.
— Tá bom, Ivy — murmura.
É pouco… mas já é alguma coisa.
⋆ ˚。⋆୨୧˚
O sol já está se pondo quando ouço o carro de Lucas entrando na garagem.
Oliver, que sempre escuta tudo, larga os dinossauros no tapete da sala e se levanta num pulo.
— O papai chegou! — grita, saindo correndo.
Liam fica parado, como se ainda estivesse decidindo se deve ir ou continuar sentado.
— Pode ir também — digo, sorrindo. — Lucas não morde.
Ele sorri e se levanta, seguindo Oliver.
Saio do sofá e vou atrás deles. Encontro Lucas no hall de entrada, ainda de terno, agachado na altura de Oliver, que já está fazendo um relatório completo do dia.
— Mostrei a casa todinha pro Liam e fiz tudo direitinho, papai! — conta, orgulhoso. — Ele sabe o nome das flores. Elas se chamam rotências!
— Hortênsias, filho — Lucas corrige, com a paciência que sempre me encanta. — E você foi um ótimo amigo em mostrar tudo. Parabéns.

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