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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 137

Apoio os cotovelos no parapeito da varanda e observo o quintal, sentindo um misto de felicidade e insegurança.

O sol da manhã ilumina a grama ainda úmida, enquanto Oliver corre de um lado para o outro, em modo apresentação total, já que ontem não teve tempo para isso.

Ele mostra cada canto do quintal com uma animação admirável, gesticula sem parar e explica tudo com aquela seriedade que sempre me faz rir.

Liam o segue, mas bem mais calmo que o pequeno astronauta. Olha com atenção cada coisa que Oliver aponta, sempre com as mãos nos bolsos. E é isso que me incomoda.

Porque o Liam que vejo agora não é o Liam que eu conhecia. Meu irmão nunca andou assim. Ele corria, tropeçava, gritava, pulava…

Essa versão parece existir como se estivesse sempre pedindo licença para ocupar espaço.

— Esse é o jardim — ouço Oliver dizer, muito sério. — A Sra. Mallory diz que não pode mexer nessas… não sei o nome dessas flores.

— É uma hortênsia — Liam diz, baixinho, apontando para uma delas.

Oliver abre a boca. Fecha. Abre de novo.

— Como você sabe isso?

— Minha mãe gostava de plantas — meu irmão responde, encolhendo os ombros. — Ela me ensinou.

Engulo em seco, observando a cena.

Oliver fica em silêncio por um segundo, o que, para ele, é quase um milagre, e então assente, ainda mais atento.

— Legal. Então você pode ser nosso jardineiro. Vou falar com o papai para ele te dar esse emprego, Liam.

Meu irmão esboça um sorriso pequeno, mas verdadeiro. E finalmente solto o ar.

Saio da varanda e vou até a cozinha. Pego dois copos de suco e levo para o quintal, entregando um para cada um.

Oliver pega o dele imediatamente e bebe quase tudo de uma vez. Liam segura o copo com as duas mãos, como se tivesse medo de derramar, e me olha.

— Está gostando? — pergunto, me agachando na altura dele.

— Tô — responde. — É bonito aqui.

— É sua casa agora, Liam. Você pode gostar sem culpa, sem medo de ter que ir embora — digo, com cuidado. — Também pode mexer nas coisas e ir onde quiser.

Ele me encara por um segundo mais longo do que o normal, depois bebe um pouco do suco.

— Tá bom, Ivy — murmura.

É pouco… mas já é alguma coisa.

⋆ ˚。⋆୨୧˚

O sol já está se pondo quando ouço o carro de Lucas entrando na garagem.

Oliver, que sempre escuta tudo, larga os dinossauros no tapete da sala e se levanta num pulo.

— O papai chegou! — grita, saindo correndo.

Liam fica parado, como se ainda estivesse decidindo se deve ir ou continuar sentado.

— Pode ir também — digo, sorrindo. — Lucas não morde.

Ele sorri e se levanta, seguindo Oliver.

Saio do sofá e vou atrás deles. Encontro Lucas no hall de entrada, ainda de terno, agachado na altura de Oliver, que já está fazendo um relatório completo do dia.

— Mostrei a casa todinha pro Liam e fiz tudo direitinho, papai! — conta, orgulhoso. — Ele sabe o nome das flores. Elas se chamam rotências!

— Hortênsias, filho — Lucas corrige, com a paciência que sempre me encanta. — E você foi um ótimo amigo em mostrar tudo. Parabéns.

— Isso faz sentido, não acha? — diz, depois de um momento. — Ele passou por muita coisa, meu amor. Vai levar um tempo até acreditar que não precisa mais viver na defensiva.

— Eu sei — respondo, suspirando. — Só dói ver meu irmão assim.

— Dói porque você conheceu a versão inteira dele — murmura, me olhando de lado. — Essa versão é a que sobreviveu, mas não é a definitiva. Cabe a nós trazer o resto de volta.

Engulo em seco.

— Só queria que ele simplesmente… voltasse a ser ele.

— E ele vai voltar, mas não porque você quer. Vai voltar porque vai se sentir seguro o suficiente.

Fico em silêncio, absorvendo as palavras.

Depois, solto uma risada fraca.

— Você fala como se fosse especialista.

Ele arqueia uma sobrancelha.

— Eu sou pai do Oliver — responde, arqueando uma sobrancelha. — Aquela pequena criatura não nasceu pulando na cama. Ele também teve fases. Medos. Inseguranças.

Lucas passa a mão pelo meu ombro e me puxa para perto.

— E, assim como você ajudou meu filho a superar tudo isso, vou te ajudar com o Liam — continua, acariciando meu braço. — Na verdade… acho que já sei como animá-lo um pouco hoje.

— Como? — pergunto, levantando o rosto para encará-lo, curiosa.

Ele sorri de canto.

— Você vai descobrir depois do meu banho.

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