"Lucas Sinclair"
O alarme não toca, mas, mesmo assim, quando abro os olhos, são 7h12 de sábado. O quarto continua naquele silêncio agradável, mas meu corpo se recusa a continuar descansando.
Esfrego as mãos no rosto e me viro, encontrando Ivy dormindo de lado, com o cabelo espalhado no travesseiro e uma das mãos embaixo do rosto.
Fico alguns segundos admirando cada detalhe da minha mulher.
Perfeitamente linda. E minha.
Depois, me levanto sem fazer barulho para não acordá-la. Vou até o banheiro e, logo em seguida, sigo para o único lugar da casa onde consigo pensar sem que nada me interrompa.
Acendo a luz da academia no subsolo, coloco uma música qualquer no volume baixo e começo a alongar os braços, ainda meio lento por causa do sono.
É esse o ponto.
Quando o corpo está ocupado, a cabeça para de trabalhar no modo errado. Para de calcular riscos, antecipar problemas, montar estratégias para situações que ainda nem existem.
Só o barulho do ferro, respiração e silêncio.
Alguns minutos depois, já estou na barra, contando repetições na cabeça e deixando o resto do mundo desaparecer.
Quando termino a série, passo a toalha no rosto e respiro fundo. No mesmo momento, ouço a porta sendo aberta. Não preciso olhar para saber quem é.
É como se só a presença dela mudasse a temperatura do ar.
Me viro para a porta e encontro Ivy parada na entrada, usando minha camisa, com aquela expressão que ela acha que disfarça bem.
Mas não disfarça nada, porque conheço bem esse olhar.
E, pela maneira como suas bochechas coram e ela morde o lábio, sei exatamente o que está passando na cabeça da minha mulher.
— Bom dia, minha atrevida — digo, parando a alguns centímetros dela. — Acordou cedo demais.
— São quase oito e meia — ela responde, com aquela voz levemente rouca de quem acabou de acordar. — Senti sua falta na cama e resolvi te procurar.
Ivy sorri e fica nas pontas dos pés para me beijar.
— Estou suado — murmuro, contra a boca dela.
— Não me importo — sussurra, sorrindo de lado. — Na verdade, você fica ainda mais… tentador assim, sabia?
Não preciso de convite melhor do que esse.
Volto a beijá-la enquanto passo o braço na cintura dela e a puxo para o meu colo num movimento rápido. Ela solta um suspiro baixo e, instintivamente, enrola as pernas na minha cintura, com as mãos no meu pescoço.
A pressiono contra o espelho, devagar o suficiente para não quebrar, mas firme o bastante para ela entender minhas intenções.
— Lucas…
— Foi você que desceu e me provocou, atrevida — murmuro, beijando o pescoço dela.
— Você que veio me beijar e…
— Eu? — interrompo, afastando um pouco o rosto para encará-la, com a sobrancelha levantada. — Fui eu que desci vestido assim para procurar você?
Ela não responde, só volta a me beijar com vontade, movendo os quadris instintivamente. Espalmo as mãos na bunda dela e a puxo ainda mais para perto, como se isso fosse possível.
Seus dedos se prendem no meu cabelo, aprofundando o beijo, enquanto deslizo a mão pela cintura dela até chegar ao short.
Quando meus dedos finalmente tocam sua boceta molhada…
— Mas o Homem-Aranha é da Ivy e ela sempre deixa comigo! — A voz de Oliver ecoa lá de cima, nos interrompendo.
— Mas é meu! — a voz de Liam vem logo em seguida.
Ivy congela por um segundo. Depois, começa a rir.
Entro na sala de jantar e encontro os três sentados à mesa.
Ivy está com o queixo apoiado na mão, observando Oliver explicar sobre planetas, enquanto Liam escuta com aquela expressão de quem está levando o assunto muito mais a sério do que deveria.
Me sento na cabeceira e Ivy me olha de lado, com um sorriso malicioso nos lábios.
A atrevida sabe como me provocar.
— Resolveram a questão do pobre boneco? — pergunto, pegando o café.
— A Ivy disse que o Homem-Aranha agora é dos dois — Liam responde, olhando para a irmã.
— E que vai ficar no meu quarto — Oliver completa, sorrindo, satisfeito.
— Só hoje — Liam murmura, comendo um pedaço de bolo. — Amanhã ele é meu.
— Nosso!
Ivy morde o lábio para não rir, enquanto bebo o café em silêncio.
O café da manhã continua naquele ritmo que ainda é novo para mim, mas que já começa a parecer indispensável.
Liam fala sobre dinossauros, Oliver emenda o assunto com o espaço, já planejando a guerra que farão depois do café, Ivy rouba uma uva do meu prato e finge que não foi ela…
É simples, barulhento, mas é exatamente o que eu não sabia que precisava.
Então, a campainha toca, interrompendo nossa manhã caótica.
Ivy me encara, franzindo as sobrancelhas.
— Quem pode ser a essa hora? — pergunta, curiosa.

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