“Lucas Sinclair”
Minhas mãos ainda queimam onde tocaram a cintura dela.
Mesmo depois de soltá-la, de dar um passo para trás, de Blair aparecer na porta… meu cérebro continua travado na sensação do que acabou de acontecer.
Ivy escorregou e eu a segurei.
De novo.
Porque aparentemente meu corpo decidiu que segurar Ivy Collins quando ela está prestes a cair é uma espécie de reflexo automático agora.
Merda.
— Lucas? — Blair repete, irritada. — Perguntei o que está acontecendo aqui.
Limpo a garganta, forçando meu cérebro a voltar ao presente, enquanto Ivy se afasta mais um passo, com o rosto vermelho como um tomate.
— Estávamos brincando — respondo, desdobrando as mangas da camisa.
— Você estava brincando. No meio da tarde. De um dia de semana — ela diz, lentamente, incrédula.
Entendo a reação.
Raramente saio da empresa no meio do dia, especialmente para brincar com Oliver.
Mas também nunca contratei alguém que me tira completamente do eixo só de existir.
Oliver, que estava completamente alheio à situação, corre até a mãe.
— Blair! A gente tava jogando “o chão é lava”! Foi MUITO divertido! O papai quase ganhou, mas a Ivy escorregou e…
— Oliver — Blair o corta, firme —, vá para o seu quarto. Preciso conversar com seu pai.
— Mas…
— Agora, Oliver.
Ele revira os olhos, derrotado, e sai arrastando os pés pelo corredor. Ivy praticamente corre atrás dele.
Quando ela sai, o silêncio que se instala é sufocante.
— Então… — Blair diz, lenta e claramente irritada. — Quer me explicar o que eu acabei de ver?
— Já disse que eu estava brincando com Oliver — respondo, simples. — Há algo errado nisso?
— Com Oliver, não — ela diz, estreitando os olhos. — Já com a babá…
Respiro fundo, massageando as têmporas. A última coisa que preciso agora é transformar isso numa novela.
— Ivy estava brincando com o Oliver. Eu entrei porque ele pediu. Só isso.
— Só isso? — Ela repete, com um sorriso cínico. — Lucas, você nunca chega cedo em casa. Nunca brinca com Oliver. E eu nunca, em cinco anos de casamento, te vi pulando em almofadas como um adolescente.
— Vim buscar documentos — digo, controlando o tom. — E decidi passar alguns minutos com o meu filho. Qual é o problema?
— O problema — ela se aproxima alguns passos — é você agarrado à nossa babá, Lucas.
— Ela ia cair, Blair — rebato, frio. — Eu só impedi que se machucasse.
Mentira.
Segurei porque quis. Porque meu corpo reagiu antes do cérebro.
— Srta. Collins? — chamo baixinho. — Está tudo bem?
A babá se vira rapidamente, arregalando os olhos. Depois engole em seco, se levanta e vem até o corredor.
— Sr. Sinclair, eu… — sussurra, claramente sem querer que Oliver escute. — Entendo se quiser me demitir. Sei que estou fazendo tudo errado, mas…
— Tirando ontem à noite — corto, tão calmo que até me surpreendo —, você não fez nada errado.
Ela pisca, surpresa.
— Como?
— Você estava cuidando do meu filho — digo, escolhendo bem as palavras. — Brincando com ele. Não há nada de errado nisso.
— Sua esposa não pareceu pensar o mesmo — ela murmura, arregalando os olhos castanhos quando percebe o que falou.
— Blair tem… opiniões fortes sobre muitas coisas, mas ela sabe que não estávamos fazendo nada de errado, não é?
— Hoje não — ela resmunga, amarga.
E então, sem pensar, dou um passo na direção dela. Mas paro no meio do caminho, porque sei que me aproximar é uma péssima ideia.
Me viro e saio antes que cometa a idiotice de ficar e fazer alguma besteira.
Porque já cometi esse erro uma vez.
E não posso me dar ao luxo de cometer de novo.
Mesmo que meu corpo esteja implorando para isso.

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