O silêncio cai sobre a mesa como se alguém tivesse desligado o som do mundo.
Por um segundo, ninguém se mexe.
Nem Joe, nem Lucas, nem mesmo Natalie.
A frase de Diana fica pairando no ar.
Sinto o calor subir pelo meu pescoço até o rosto. É um daqueles momentos em que o cérebro demora alguns segundos para acompanhar o que acabou de acontecer.
Ela não levantou a voz, não foi rude, nem xingou ninguém. Mas todo mundo entendeu.
Olho quase por instinto para Natalie, que mexe no prato, aparentemente sem estar com raiva, ou, pelo menos, sem demonstrar.
E é aí que entendo o que ela quis dizer na cozinha. Ela foi a primeira porque, assim como eu, não veio de uma família rica nem tem um sobrenome influente.
Ela foi a primeira porque Joe se apaixonou por ela independentemente da sua situação financeira. E isso, claro, não é algo que pessoas como Diana aceitam facilmente.
— Mãe — Lucas diz, num tom que basicamente significa chega.
Imediatamente, desvio os olhos para ele.
Maxilar travado, dedos apertando o garfo com mais força do que o necessário… ele está claramente se segurando.
Quase automaticamente, deslizo minha mão sobre a mesa e seguro a dele, tentando acalmá-lo.
— Só fiz um simples comentário, Lucas — Diana responde, se endireitando na cadeira. — Não quis ofender ninguém.
— Mas ofendeu — ele rebate, colocando o garfo na mesa com cuidado. — O que a senhora disse foi desrespeitoso. Com a Natalie, com a Ivy e com todo mundo sentado nesta mesa que teve o bom senso de não pensar dessa forma, principalmente de dizer isso em voz alta.
Diana mantém o olhar no filho por um longo momento. Depois, respira devagar e se vira para Joe.
— Não era minha intenção estragar seu aniversário, Joe — ela diz, claramente insatisfeita com a repreensão do filho.
— Boa notícia — Joe responde, levantando o copo com um sorriso tranquilo. — Meu aniversário não foi estragado.
E então, com a naturalidade de quem provavelmente passou a vida inteira sendo o irmão mais novo numa família complicada, Joe se vira para Oliver.
— Então, me explica melhor esse negócio do tubarão voador que você sonhou.
Oliver esquece imediatamente que existia qualquer outra conversa acontecendo.
— ERA ENORME, TIO JOE — ele começa, gesticulando com os dois braços. — E tinha dentes assim, ó…
O pequeno volta a contar o sonho, esquecendo completamente qualquer outra conversa que estava acontecendo.
O jantar finalmente continua.
As conversas voltam aos poucos, como se alguém tivesse ligado o volume do mundo de novo, devagar, no controle.
Mas, apesar das risadas e dos assuntos leves que ressurgem, noto as trocas de olhares silenciosos entre Lucas e os pais.
— Vai ter sobremesa? — Liam pergunta, atraindo a atenção da mesa.
Imediatamente me viro para encará-lo e encontro meu irmão meio sem jeito, enquanto Oliver sussurra um “isso aí” para ele.
Os dois claramente são cúmplices.
— Na verdade — Natalie começa, se levantando —, acho que podemos ir direto para a parte do bolo. Que tal?
— Essa foi a melhor coisa que ouvi a noite inteira — Joe responde imediatamente.
Oliver levanta os braços.

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