A voz dela é baixa, quase gentil.
Quase.
Levanto os olhos para Diana, que se senta na cadeira de Lucas, segurando o copo de vinho entre os dedos com aquele ar de quem está acostumada a ocupar qualquer lugar que queira.
— Estou, sim — respondo, mantendo o tom neutro.
Ela sorri de maneira ensaiada e dá um gole no vinho, sem pressa.
— Você deve estar se perguntando o que eu quis dizer antes.
“Não estou”, penso. “Até porque entendi perfeitamente”.
— Não precisa explicar — respondo, baixo. — Já foi.
— Só quis deixar claro que certas coisas merecem ser ditas — ela insiste. — Em vez de ficarem… subentendidas.
Assinto lentamente, sentindo o olhar de todos sobre nós. Joe observa sem disfarçar, Natalie continua cortando o bolo, John e Sophia fingem conversar, mas sei que eles estão acompanhando tudo.
Diana gira o vinho devagar, como se organizasse as palavras com o mesmo cuidado.
— Sabe, Lucas é um homem inteligente. Construiu uma carreira extraordinária, tem um filho maravilhoso, uma reputação que levou anos para consolidar — continua, fazendo uma pausa proposital. — Decisões precipitadas podem custar muito caro a alguém na posição dele.
— Que tipo de decisões? — pergunto, firme.
— Do tipo que envolve misturar vida pessoal e profissional, ignorando o que as pessoas vão pensar — responde, tomando outro gole de vinho. — Não estou dizendo que você tem más intenções, querida. Mas é isso que as pessoas enxergam, independentemente das intenções.
Balanço a cabeça devagar, entendendo o que ela está fazendo. Diana é cuidadosa o suficiente para não atacar diretamente, mas clara o bastante para que a mensagem chegue.
Eu era a babá, agora sou a namorada. Para ela, ainda sou só a aproveitadora que encontrou uma ótima oportunidade.
— Sem julgamento, tá bom? — conclui, sorrindo como se não tivesse dito nada demais.
Fico em silêncio por um segundo, apertando as mãos sobre as coxas para não deixar transparecer nada do que sinto.
Sim, poderia deixar passar. Sorrir, desviar o assunto, esperar Lucas voltar.
Mas não consigo.
— A senhora está julgando — digo, com calma. — Mas está fazendo isso educadamente.
— Só estou sendo honesta, não precisa…
— Então eu também vou ser — corto, me virando levemente na direção dela. — Nunca tive a intenção de conquistar um sobrenome, conseguir dinheiro ou ocupar um lugar que não me pertencia.
Diana pisca, surpresa com minhas palavras. É a primeira reação verdadeira que vejo dela a noite inteira.
— O que aconteceu entre nós dois é independente do que ele tem — continuo, respirando fundo. — Mesmo se Lucas fosse um faxineiro, sem nenhum patrimônio, com uma conta bancária comum, eu continuaria ao lado dele. Porque não me apaixonei pela empresa, nem pelo dinheiro. Me apaixonei pelo homem que ele é.
Ela me encara, com um olhar que não entrega nada.
— Você é jovem — diz, por fim. — E provavelmente acredita em tudo que está dizendo agora. Mas nosso mundo não é simples, nunca foi. E mulheres que entram nesse mundo sem entender o que estão enfrentando…
Por um tempo, fico apenas fingindo prestar atenção nas conversas ao redor. O coração leva um tempo para desacelerar de verdade.
Quando todos estamos com nossos bolos, Joe levanta a taça e propõe um brinde a si mesmo, rindo da própria piada.
Aos poucos, a festa termina sem mais emoções.
Quando Oliver adormece no sofá e Liam começa a bocejar, decidimos que é hora de ir embora.
— Ficaremos aqui mais algumas semanas, então espero que voltem mais vezes para almoçar — Natalie sussurra, me abraçando. — Sem sua sogra, prometo.
— Agradeço — respondo, sorrindo.
Nos soltamos, e Joe me puxa para outro abraço apertado, reforçando o convite que Natalie fez há pouco. Depois, vai abraçar o sobrinho enquanto Sophia se aproxima de mim.
— Você se saiu muito bem, Ivy — murmura, olhando na direção da mãe. — Achei que minha mãe fosse conseguir te fazer sair correndo e gritando.
— Não faltou vontade — respondo, rindo baixo. — Mas… sobrevivi.
Ela me dá um tapinha leve no ombro e se afasta para se despedir do tio.
Quando nos aproximamos de Diana e John, as despedidas são mais formais, como sempre.
John aperta o ombro de Lucas, Diana beija o rosto do filho, depois olha para mim por um segundo antes de acenar levemente com a cabeça.
Não sei bem o que esse olhar significa. Só sei que não foi o de alguém que desistiu.

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