“Lucas Sinclair”
Colocar Oliver na cama leva menos tempo do que o normal.
Ele já estava meio dormindo no carro, então, quando o deito no colchão e apago a luz, ele só vira de lado e abraça sua pelúcia sem dizer nada.
Fico parado na porta por um segundo, olhando para ele no escuro, enquanto a noite inteira passa pela minha cabeça de uma vez.
Minha mãe. A frase no jantar. O jeito que Ivy ficou quieta quando voltei do banheiro e encontrei as duas sozinhas.
Fecho a porta devagar e, assim que saio, Ivy está saindo do quarto de Liam. Ela fecha a porta com cuidado, se vira e, quando me vê, para.
— Ele dormiu? — pergunto, baixo.
— Assim que colocou a cabeça no travesseiro — ela responde, com um sorriso cansado, encostando na parede.
Fico olhando para ela por um segundo. Os olhos distantes, os ombros ainda tensos…
Quando percebe meu olhar, ela solta um suspiro, tentando disfarçar.
— Foi uma noite longa — diz, dando um passo para trás. — Preciso de algumas horas de descanso.
— Ivy — chamo antes que ela se afaste.
Ela me encara por um segundo, sabendo exatamente o que estou fazendo, e claramente não está com paciência para discutir.
Então desvia o olhar para o corredor, como se estivesse avaliando a distância até nosso quarto.
Não vou deixar que ela fuja.
Seguro sua mão antes que decida qualquer coisa, entrelaço nossos dedos e começo a descer as escadas. Ivy não retruca, só me segue.
Quando chegamos à sala de estar, a deixo no sofá e vou até o bar no canto da sala. Sirvo dois dedos de whisky, só o suficiente para a conversa que precisa acontecer.
Ivy observa meus movimentos, com as mãos entrelaçadas sobre as coxas. Sento ao lado dela, apoio os cotovelos nos joelhos e giro o copo devagar.
— Conta — digo, tomando um gole pequeno.
— Já disse que estou bem.
— Eu ouvi. Agora conta o que aconteceu enquanto eu estava no banheiro com os meninos.
Ela abre a boca, fecha. Depois, respira fundo, como se procurasse as melhores palavras, e começa finalmente a contar.
Fico em silêncio, ouvindo com atenção enquanto ela fala. Primeiro devagar, depois mais rápido, como se as palavras estivessem reprimidas e agora encontrassem caminho.
Ouço cada coisa que minha mãe disse, cada frase cuidadosa e calculada. A palavra “aproveitadora” que Diana não usou diretamente, mas deixou pairando no ar de qualquer forma.
E, mesmo sabendo que Ivy respondeu firme, direta, sem perder o controle, isso não impede que meu maxilar trave de um jeito que chega a doer. Não de raiva, mas de algo mais intenso.
Minha mãe esperou eu sair da mesa, escolheu o momento certo, pensou nas palavras com cuidado… sabia exatamente o que estava fazendo.
Só escolheu a pessoa errada para atacar.
— Não precisa ficar chateado com ela, ok? — Ivy se apressa em dizer. — Já foi. Eu me segurei, ela se segurou, a noite terminou.
— Não estou chateado — respondo, esfregando a mão no rosto antes de voltar a encará-la. — Mas ainda assim preciso te pedir desculpas.
Ela pisca, confusa.


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