Nem de longe essa é a maneira como eu queria começar minha semana, mas há coisas que não dá para adiar, e essa é uma delas.
Respiro fundo, me preparando mentalmente para o que está por vir, e saio do carro.
A governanta abre a porta antes que eu toque a campainha, me olha de cima a baixo com um sorriso sincero e me deixa passar após me abraçar.
— Eles estão na sala de jantar, senhor — informa, já voltando para a cozinha.
Vou direto para a sala de jantar e paro na entrada, olhando meus pais. Minha mãe com a xícara na mão, vestida como se já esperasse visita, embora não sejam nem oito da manhã.
Meu pai, que corta um pedaço de bacon, é o primeiro a me ver.
— Lucas — diz, franzindo as sobrancelhas para o relógio na parede. — Não deveria estar na empresa?
— Sim — respondo, me aproximando. — Mas antes precisava passar aqui.
Minha mãe me observa em silêncio, com aquele ar de quem sabia exatamente que esse momento ia chegar.
— Café? — Ela finalmente fala, com uma calma que não engana ninguém.
— Não, obrigado.
Meu pai aponta uma das cadeiras, mas permaneço em pé. Sentar pareceria uma visita, e isso definitivamente não é.
— O que a senhora disse ontem no jantar foi desrespeitoso — começo, sem rodeios. — Com todos que estavam à mesa. Não vou fingir que não foi.
Minha mãe ergue uma sobrancelha, mas não responde imediatamente. Só gira o copo de café entre os dedos, como se ponderasse cada palavra.
— Só fiz uma observação — diz, por fim.
— A senhora fez uma insinuação calculada na frente de toda a família — corrijo, mantendo o tom baixo. — E depois foi falar com a Ivy sozinha enquanto eu estava fora da mesa.
— Não vou me desculpar pelo que fiz — ela responde, levando a xícara à boca, tranquila. — Só tive uma simples conversa com ela, Lucas. Isso não é crime.
— Não foi uma conversa. Foi uma advertência cruel.
Meu pai se mexe levemente, mas não fala. Vai deixar minha mãe conduzir isso, como sempre.
— Falei o que precisava ser dito. Ela é quinze anos mais nova do que você — ela diz, como se explicasse o óbvio. — Não tem carreira, não tem base familiar, mal começou a vida. Você tem uma empresa, uma reputação, um filho. Não fui cruel, fui realista.
— A senhora foi o que aprendeu a ser — respondo, fazendo uma pausa proposital. — Alguém que julga pessoas pelo que têm, não por quem são.
Diana pisca, mas não nega.
— Isso não é justo — diz, balançando a cabeça.
— Também não é justo o que a senhora fez com ela ontem.
O silêncio dura alguns segundos.
Meu pai olha para o prato à sua frente, como se os ovos mexidos fossem mais interessantes do que essa conversa, mas sei que está ouvindo cada palavra.
— Lucas — minha mãe começa novamente, se inclinando para frente. — Você se separou da Blair e, em poucas semanas, estava num leilão com a babá do Oliver. Como um casal. Você entende como isso parece?



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