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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 148

“Ivy Collins”

A mensagem continua incomodando, mesmo sem precisar reler.

Já sei de cor cada uma das palavras, na ordem exata em que aparecem, com o ponto final que Lucas colocou como se isso fosse deixar o recado mais leve de alguma forma.

“Precisamos conversar quando eu chegar em casa.”

Olho o celular pela décima vez e volto a atenção para a mesa onde Oliver e Liam estão desenhando, ou pelo menos tentando, já que Oliver está claramente mais interessado em criticar o desenho do Liam do que em terminar o próprio.

— Esse dinossauro tá com o pescoço torto — ele observa, inclinando a cabeça para o lado.

— É porque ele tá olhando pro lado — Liam responde, sem tirar os olhos do papel.

— Dinossauro não olha pro lado assim.

— Esse olha, ué — meu irmão murmura, dando de ombros.

Oliver considera isso por um segundo, visivelmente insatisfeito, mas sem argumento suficiente para rebater. Depois, pega o lápis e volta ao próprio desenho, murmurando algo que não consigo ouvir direito.

Sorrio e, mesmo sem querer, meus olhos voltam para o celular virado na mesa à minha frente.

“Precisamos conversar.” Ninguém diz isso quando é coisa boa.

Qualquer pessoa que já recebeu essa frase na vida sabe o peso que ela tem. O tipo de coisa que alguém não conseguiu colocar numa mensagem normal.

Se fosse algo simples, seria “chego mais cedo hoje” ou “vou levar comida”, ou absolutamente qualquer outra coisa que não fizesse o estômago virar do avesso.

Sei que Lucas foi até a casa dos pais esta manhã. Sei disso porque ele saiu mais cedo que o normal, dizendo que precisava resolver uma coisa antes de ir para a empresa.

Não foi difícil entender. Eu já sabia que ele faria isso desde que conversamos depois do jantar. Lucas não é o tipo de homem que deixa essas coisas passarem.

Só que agora, com essa mensagem na tela, começo a montar um cenário que não consigo desmontar completamente.

Diana disse o que disse. Lucas foi até lá e, depois de conversar com a mãe, a primeira coisa que achou necessário fazer foi me mandar uma mensagem dizendo que precisamos conversar.

Será que ele percebeu que…

Paro esse pensamento antes que vá longe demais.

Não faz sentido. Lucas não é assim, não funciona dessa forma.

Se tivesse mudado de ideia, se Diana tivesse conseguido plantar alguma dúvida grande o suficiente para fazê-lo desistir de mim, ele não teria mandado uma mensagem.

Teria chegado em casa diferente, mais fechado, e eu teria percebido antes mesmo de ele abrir a boca.

Mas também não consigo ignorar completamente.

Porque “precisamos conversar” continua sendo “precisamos conversar”, independentemente de como eu tente reembalar.

— Ivy — Oliver chama, levantando o desenho. — Ficou bom?

Olho para a folha. Um dinossauro com pescoço absolutamente normal e um sorriso que nenhum dinossauro real provavelmente teria.

— Ficou ótimo — respondo, sorrindo.

Ele parece satisfeito e volta a desenhar, acrescentando o que parece ser uma árvore ao lado, embora possa ser qualquer coisa.

O restante da tarde passa nesse ritmo.

— Ok, papai!

O pequeno volta para o tapete com Liam, enquanto Lucas sobe as escadas. Observo os degraus por um minuto, só um, e desisto de me segurar.

Não há motivo para adiar o inevitável.

Quando chego ao quarto, ele já está sem o paletó, afrouxando a gravata. Me sento na cama e decido ir direto ao ponto.

— Então… sobre o que precisamos conversar? — começo, respirando fundo. — Por acaso você… quer terminar comigo?

Lucas para por um segundo, como se organizasse os pensamentos. Depois, se senta ao meu lado, soltando um longo suspiro.

— Se eu quisesse terminar com você — ele diz, devagar —, não teria pedido para conversar. Teria perdido a coragem de fazer isso.

— Então… não é isso?

— Definitivamente, não.

Assinto, sentindo meu estômago aliviar um pouco, mas não completamente. Lucas se vira para mim, apoiando o cotovelo no joelho, como se decidisse por onde começar.

— Ivy, o que você quer para a sua vida? — ele pergunta, por fim.

A pergunta me pega desprevenida. Pisco, tentando entender onde ele quer chegar.

— Eu quero você — respondo, porque é a coisa mais verdadeira que consigo dizer nesse momento.

— Eu também quero você. Muito — ele murmura, sem hesitar. — A questão é: o que mais você quer?

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