O Museu de História Natural é maior do que vi nas fotos.
Ou talvez seja porque, pessoalmente, tem espaço suficiente para dois meninos empolgados agarrarem meu braço e me puxarem em direção a cada vitrine.
Como se o mundo fosse acabar se não chegassem primeiro.
— IVY — Oliver grita, parando na minha frente. — VEM VER ESSE AQUI!
— Oliver, não precisa gritar — digo, segurando sua mão antes que ele corra novamente. — Estamos num museu, não num parque.
— Mas aqui é legal! — exclama, falando um pouco mais baixo. — Nossa voz faz eco, ó.
E pronto. Mais um grito para confirmar a teoria.
Liam continua do meu outro lado, mas sem segurar minha mão porque, segundo ele, já é velho o suficiente para não fazer isso.
Então, quando finalmente chegamos à parte dos dinossauros e os dois olham para o esqueleto enorme que domina o centro da sala, abrem a boca ao mesmo tempo, admirados.
— Esse é o T-Rex? — Oliver pergunta, se aproximando da réplica.
— É — confirmo, parando ao lado dele.
— É enoooooorme! — exclama, inclinando a cabeça de um lado para o outro, avaliando o dinossauro.
— Mas parece maior na televisão — Liam diz, mais para si mesmo.
— Tudo parece maior na televisão.
Oliver corre para a placa ao lado da réplica e aponta para as letras sem conseguir ler nada, mas fingindo que consegue.
— O que tá escrito aqui, Ivy?
— Tyrannosaurus rex — leio, agachando ao lado dele. — Viveu há cerca de sessenta e seis milhões de anos.
Oliver olha para a réplica de novo, depois para mim, depois para a réplica.
— Então ele é bem velho?
— Bem velho.
— Mais velho que o vovô John?
Liam deixa escapar um risinho ao meu lado, e eu me esforço muito para não fazer o mesmo.
— Muito mais velho — respondo, mordendo o lábio para não rir.
Continuamos pela sala devagar, sem pressa, enquanto os dois param em cada vitrine com uma atenção que normalmente não existe quando peço para arrumarem os brinquedos.
Entramos em outra sala, com uma réplica menor de um dinossauro de pescoço comprido que quase toca o teto. Liam para bem no meio, olhando para cima com a boca aberta.
— Como ele comia, Ivy? — pergunta, franzindo as sobrancelhas.
— As folhas das árvores altas — respondo, disfarçando enquanto leio a placa ao lado. — Ele era herbívoro.
— Herbívoro é quem não come carne?
— Isso.
— Igual à Sra. Hargrave? — Oliver pergunta, sério demais.
Fecho os olhos por meio segundo.
— Tipo isso.
Ele assente e corre para o outro lado da sala, tentando imitar o dinossauro, esticando o pescoço o máximo que consegue, de olhos fechados e com a língua de fora.
— O que você está fazendo?
— Sendo um dinossauro — ele responde, sem abrir os olhos.
— E a língua?



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