“Lucas Sinclair”
A sala de espera do condado é tão pequena que chega a ser claustrofóbica.
As paredes são de um cinza sem graça, como se existissem apenas para lembrar qualquer pessoa de que ninguém está aqui por um bom motivo.
Desligo o telefone e olho a tela por um segundo antes de guardá-lo no bolso.
— Está tudo bem? — Owen pergunta do outro lado da sala.
— Sim. Eles estavam no museu. A Ivy levou os meninos.
— O Oliver provavelmente veio cheio de novas teorias sobre dinossauros.
— Provavelmente. Não quis estender a conversa para não precisar explicar à Ivy onde estamos — digo, sorrindo de lado. — Depois da mensagem de segunda-feira, ela me fez prometer que não a preocuparia antes da hora.
Ele solta uma risada curta, mas para quando o barulho da porta de metal se abrindo ecoa pela sala. Um guarda aparece primeiro e, logo atrás dele, Lily.
Ela está diferente de quando a vi pela última vez. Mais magra, com os cabelos loiros presos de qualquer jeito, sem o cuidado que tinha antes.
Quando me vê, para por um segundo. Depois continua andando até a mesa, se senta do outro lado e coloca as mãos sobre a superfície, fingindo uma calma que claramente não existe.
— Lucas — ela cumprimenta, num tom baixo.
— Lily.
A guarda recua, mas não sai. Owen abre a pasta sobre a mesa, mas não fala nada. Esse momento é meu.
— Não precisava vir pessoalmente — ela diz, olhando rapidamente para a porta. — Podia ter mandado só seu advogado.
— Algumas coisas são melhores quando resolvidas pessoalmente.
Lily assente levemente, como se esperasse isso.
— Então você sabe por que estou aqui — começo, direto.
— Tenho uma ideia.
— Ótimo. Então vou poupar nosso tempo. Quero saber o que aconteceu naquela noite.
Ela me olha por um segundo, como se reorganizasse sua versão da história mentalmente.
— Já disse tudo que tinha a dizer quando fui presa — começa, com aquele cuidado de quem ensaiou isso mil vezes. — Agi por impulso, Lucas. Quando notei os olhares entre você e a babá, enquanto você me dispensava pela milésima vez, fiquei com raiva e tomei essa decisão estúpida.
Ela para, como se estivesse medindo as palavras uma por uma.
— Não queria que chegasse ao ponto que chegou. Queria que a Ivy ficasse… altinha, fora de si o suficiente para fazer alguma coisa vergonhosa que te fizesse dispensá-la — continua, tentando soar convincente. — Não imaginei que alguém fosse tentar se aproveitar dela daquele jeito.
Fico em silêncio, ouvindo até o fim.
Lily termina a explicação ensaiada com os olhos fixos nos meus, como se aguardasse alguma reação.
— Tudo bem — respondo, por fim, me recostando na cadeira e cruzando os braços. — Agora me diz o que realmente aconteceu.


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