“Ivy Collins”
Há algo errado quando Oliver fica quieto porque… ele não é quieto.
Oliver é barulho constante, perguntas sem fim, o dinossauro batendo na mesa enquanto come, os pés balançando na cadeira.
Por isso, quando ele vai para o quarto sem fazer um único som, é estranho.
Lucas continua parado ao meu lado, com aquela expressão de quem está tentando montar um quebra-cabeça com peças que não encaixam.
— Ele nunca faz isso quando volta da Blair — comento, baixo.
— Nunca — ele responde, direto.
— Vou subir.
Subo as escadas com Lucas atrás de mim. A porta do quarto está entreaberta, mas bato de leve antes de empurrá-la.
Oliver está sentado no chão com o dinossauro no colo, olhando para ele como se estivesse esperando que ele dissesse alguma coisa. Não está brincando, só segurando.
— Posso entrar, astronauta? — pergunto, baixo.
Ele levanta os olhos e assente, sem falar.
Sento no tapete ao lado dele. Lucas fecha a porta com cuidado e se apoia na parede, observando.
— Você está com fome? — pergunto.
— Não.
— Com sono?
— Não.
Lucas me olha rapidamente, e eu sei que ele está pensando a mesma coisa que eu.
— Oliver — Lucas começa, com aquela voz pausada que usa quando quer que o filho saiba que tem atenção total. — Aconteceu alguma coisa hoje?
Ele encolhe levemente os ombros.
— Não.
— Tem certeza?
— Tenho.
Lucas não insiste, e eu também não. Forçar só vai assustá-lo e piorar tudo.
Depois de um tempo, Oliver levanta os olhos para mim pela primeira vez desde que chegou.
— A Blair disse que você não gosta de mim de verdade — ele diz, finalmente, como quem repetiu a frase na cabeça várias vezes antes de falar em voz alta. — Que você é paga para gostar de mim.
Sinto o ar sumir dos meus pulmões.
Ouço Lucas se mover atrás de mim, mas ele não faz nada além de se abaixar, sentando no tapete do outro lado do filho.
Fico em silêncio por um segundo, escolhendo cada palavra com o cuidado que ele merece.
— Eu não sou mais sua babá, Oliver — respondo, devagar. — Mas, mesmo quando ainda era sua babá, eu não gostava de você só porque me pagavam para isso. Isso nunca foi parte do trabalho, sabe por quê?
Ele pisca, franzindo as sobrancelhas.
— Não.
— Porque quando você está com febre às três da manhã, não tem ninguém me pagando para ficar acordada do seu lado. Porque quando você tem pesadelo e aparece no meu quarto, ninguém me manda estar lá — continuo, com calma. — Eu fico porque quero. Sempre foi assim.
Oliver olha para o dinossauro no chão ao lado dele. Depois, olha para o pai.
— Filho, pode confiar em nós — Lucas diz, baixo. — Ela falou mais alguma coisa?


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