Owen chega na minha sala às oito da manhã com dois cafés e uma pasta fina.
Cinco dias vasculhando, e a pasta ainda é fina. Esse é o problema. Significa que ele passou dias investigando o que temos e encontrou pouco.
— Me conta — digo, antes que ele se sente.
Ele coloca os cafés na mesa, abre a pasta e empurra uma folha na minha direção.
— A detenta que brigou com a Lily se chama Megan Tones. Trinta e dois anos, condenada por fraude, ficha limpa dentro da prisão até ontem. Nunca teve ocorrência disciplinar, nunca esteve envolvida em nenhuma briga anterior.
— E, de repente, resolve brigar com a Lily.
— De repente, resolve brigar com a Lily — ele repete, igualmente seco. — O que, por si só, já é estranho. Mas o que é mais estranho é isso.
Ele empurra outra folha: um extrato bancário com um único depósito destacado em amarelo.
— Quatorze mil dólares — digo, olhando para a data.
— Depositados numa conta em nome da irmã dela, há dezoito dias.
Fico olhando para o número, tentando digerir o que isso significa. Porque o depósito foi feito há dezoito dias. Nossa visita foi há quase uma semana.
A conta entre as duas coisas não fecha.
— Então não teve nada a ver com a nossa visita.
— Não. Não teve — Owen confirma, se recostando na cadeira. — Seja lá quem pagou por isso, o plano estava em andamento antes de nós dois chegarmos lá. Nossa visita foi irrelevante para o resultado.
— O que significa que alguém já havia decidido que a Lily não podia falar.
— Com visita ou sem visita — ele assente devagar. — Ela estava marcada. Foi queima de arquivo.
Pego o extrato novamente e fico olhando para os números como se eles fossem revelar algo que ainda não estou enxergando claramente.
— De onde veio o dinheiro?
— De uma conta de uma empresa de consultoria registrada no Delaware. Constituída há seis meses, sem histórico de operações além desse depósito — ele explica, fazendo uma pausa. — É um laranja, Lucas. Bem construído, mas ainda assim um laranja.
— Então não liga diretamente a ninguém.
— Ainda não. Mas uma empresa fantasma no Delaware, com seis meses de existência e uma única transação, não é algo que pessoas comuns constroem. Isso tem uma assessoria jurídica por trás. Uma ótima assessoria.
Coloco o extrato de volta na mesa, soltando um suspiro pesado.
O rastro existe, só está enterrado sob camadas suficientes para que qualquer pessoa menos motivada desistisse aqui. Não é impossível, é trabalhoso. E quem fez isso sabia exatamente a diferença entre os dois.
— Preciso do nome do advogado que constituiu essa empresa.
— Já estou atrás disso. Mas vai levar alguns dias para furar o sigilo sem um mandado, e, para conseguir um mandado, precisamos de mais do que temos agora.
— Então vamos continuar cavando.
Owen assente, mas não fecha a pasta. Pela maneira como ele me olha… tem mais alguma coisa.
— O que é? — pergunto, levantando a sobrancelha.
— Então temos poucos dias para fazer uma contraproposta melhor — respondo, me levantando. — Marque uma reunião com o CEO para esta tarde. E quero o contrato de exclusividade redigido antes do fim do dia.
— Já esperava isso — Owen diz, anotando. — Mais alguma coisa?
— Sim. Quero saber quem mais, na nossa cadeia de fornecimento, Alfred está olhando. Isso não é o primeiro movimento, é o mais óbvio. Os outros estão vindo.
Owen fecha a pasta e se levanta.
— Lucas — ele fala, parando na porta. — A empresa no Delaware, o fornecedor, o timing de tudo isso… alguém está coordenando essas frentes ao mesmo tempo. Não é só o Alfred agindo por impulso.
— Eu sei — respondo, pegando o café que ainda nem toquei. — Mas, impulsivo ou coordenado, o resultado é o mesmo. Alguém achou que ia me distrair.
— E não vai?
— Talvez — admito, honesto. — Mas distração não é o mesmo que derrota.
Ele assente e sai, me deixando sozinho na minha sala. Passo a mão na nuca e olho para o extrato bancário ainda aberto na mesa.
Dezoito dias. A Lily estava marcada antes mesmo de eu chegar lá, antes de eu sequer saber que o advogado dela havia saído do caso.
Não consigo salvar o que já estava perdido. Mas posso encontrar quem pagou por isso.
E, quando encontrar, o rastro do Delaware vai levar a algum lugar.
Sempre leva.

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