“Ivy Collins”
São quase dez da noite quando ouço a porta principal.
Os meninos dormiram há quase uma hora, enquanto eu não consegui ficar muito tempo no quarto.
Os últimos dias foram assim, com Lucas saindo mais cedo que o normal e voltando mais tarde que o normal.
Deixo o livro na mesinha de centro e fico quieta, ouvindo os passos de Lucas pelo corredor. Quando ele aparece na sala, sinto a tensão de longe.
Gravata afrouxada, o primeiro botão da camisa aberto, os ombros carregando o peso de uma semana inteira como se fosse uma estrutura física.
Ele me vê, e o rosto relaxa um pouco.
— Oi — diz, baixo. — Ainda acordada?
— Sabe que não consigo dormir sem você.
Ele assente, soltando o ar pelo nariz, e vai até o bar no canto da sala. Pega um copo, olha para ele por um segundo e larga, sem servir nada.
Fico observando seus movimentos em silêncio.
Lucas não é o tipo de homem que fica parado sem fazer nada. Ele pensa, planeja, age.
Quando para assim, olhando para um copo vazio sem nem servir o que foi buscar, é porque a cabeça está cheia demais para decidir até isso.
Me levanto do sofá.
— Vem — digo, passando por ele.
— Ivy…
— Só confie em mim. Vem — respondo, sem parar.
Lucas hesita por um segundo antes de me seguir. Subo as escadas, entro no nosso quarto e vou direto para o banheiro.
Abro a torneira da banheira, regulo a temperatura até a água ficar quente o suficiente e me viro para ele.
Lucas continua encostado na parede, com os braços cruzados, com aquele olhar perdido de quem está presente, mas com metade da cabeça em outro lugar.
— Você passa a semana inteira resolvendo o mundo — digo, me aproximando dele. — Hoje, deixa o mundo se resolver sozinho por algumas horas.
— Não é tão simples.
— Sei que não é — respondo, sincera. — Mas você está aqui, os meninos estão dormindo e eu estou te pedindo para desligar. Consegue fazer isso?
Ele me olha por um segundo longo, como se avaliasse se consegue mesmo.
— Posso tentar.
— Então me deixa cuidar de você — peço, tirando a gravata e largando na beira da pia.
Depois, começo a abrir os botões da camisa devagar. Lucas permanece com os olhos fixos em mim enquanto a tensão nos ombros vai cedendo milímetro por milímetro.
Quando a camisa cai, passo as mãos pelo peito dele, subindo devagar até os ombros, sentindo o quanto estão tensos.
— Agora, banheira — digo, assim que termino de tirar sua calça junto com a cueca.
— Você é muito mandona, sabia?
— Estou aprendendo com alguém.
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