Quase uma hora depois, finalmente chego ao prédio da Tiffany.
É um edifício modesto no Brooklyn, o completo oposto da mansão dos Sinclair. Tijolos vermelhos, uma escada de incêndio meio torta na lateral e uma floricultura minúscula no térreo.
Subo os três lances de escada e bato na porta do 3B.
— JÁ VAI! — ela berra lá de dentro.
Segundos depois, a porta se abre.
Tiffany, 22 anos, pijama rosa com unicórnios, coque bagunçado e uma máscara facial verde que a deixa parecendo um abacate humano, me encara… pisca… e então explode.
— IVY!!! — Ela me puxa para dentro num abraço quase mortal. — Você está viva! Eu já tinha certeza de que você tinha morrido, sumido no mato ou sido sequestrada por milionários psicopatas!
— Tiff, você me ligou ontem — digo, rindo.
— E? Ligação não prova nada! — Ela protesta, fechando a porta. — Eu precisava ver você pessoalmente! Saber se ainda tem todos os membros! Se o mini furacão ainda não te expulsou!
— Estou bem — respondo, sorrindo. — Sobrevivendo, mas bem.
— Graças a Deus! — ela fala, me arrastando até o sofá. — Senta. Vou fazer chá pra esquentar a gente.
Ela desaparece na cozinha, mas continua gritando de lá.
— Então, me conta! Tudo! O Oliver é tão terrível quanto dizem? O Sr. Sinclair é aquele CEO carrancudo em casa também? A mansão é realmente gigante? Tem gente servindo água com limão?
Rindo, me jogo no sofá e olho para cima, me lembrando de quantas vezes encarei esse teto enquanto chorava, tentando achar uma solução para a minha vida.
— A mansão é absurda — digo, finalmente. — Tipo… existe uma fonte de golfinhos de mármore na entrada. Golfinhos, Tiff.
— MENTIRA! — ela grita da cozinha. — GOLFINHOS?!
— De mármore — completo, rindo. — E o Oliver é… intenso. Mas não é mau. Só… elétrico.
Tiffany volta com duas canecas de chá, arranca a máscara do rosto e se j**a ao meu lado.
— Sério isso?
— Sério — suspiro, pegando a caneca. — Ele não para um segundo, mas no fundo… só quer atenção. As birras, os gritos, a bagunça… tudo é para ser visto. Os pais quase não ficam em casa.
Tiffany faz uma careta triste.
— Pobre criança rica… tem tudo e, ao mesmo tempo, não tem nada.
— Pois é — murmuro, tomando um gole.
Ficamos quietas por alguns segundos.
Até que ela ergue as sobrancelhas com aquele brilho de fofoca profissional.
— E o Sr. Sinclair? — pergunta, baixando a voz como se alguém pudesse nos ouvir. — Como está sendo trabalhar para o homem mais gostoso e intimidador de Manhattan?
Meu rosto esquenta na hora.
— Tiffany!
— O quê?! — Ela ri, dando de ombros. — Não vou fingir que Lucas Sinclair não parece um deus grego de terno. TODO MUNDO sabe disso.
— Ele é meu chefe — argumento, tomando outro gole de chá para disfarçar.
— Ele é meu chefe também — ela rebate. — E continua sendo lindo do mesmo jeito. Vai, admite.
— Tiffany…
— ADMITA, IVY.
— Obrigada por me deixar ficar aqui quando cheguei. E por me avisar da vaga. De verdade… você salvou minha vida.
— Ei, somos amigas! — Ela me abraça de lado. — E a vovó adorou saber que te ajudei. Que deu tudo certo.
Meu peito aperta ao lembrar da Sra. Lawson, a vizinha que sempre apareceu quando a gente precisava.
Quando tudo desandou.
A mesma que agora cuida da única coisa que restou da minha mãe: a nossa casa.
Ficamos conversando por horas, rindo de histórias antigas, matando a saudade… até que o relógio marca 21h e eu praticamente levanto voando.
Nos despedimos e corro para o metrô.
Chego na mansão às 21h55, faltando cinco minutos para o toque de recolher.
— Pelo menos não quebrei outra regra — murmuro, empurrando o portão.
Abro a porta e encontro a casa quase às escuras, só algumas luzes acesas no corredor.
Estranho. Eles ainda não voltaram?
Entro devagar, fecho a porta sem fazer barulho e… paro.
Tem uma silhueta sentada no sofá, iluminada apenas pela luz fraca que vem do corredor.
Meu coração b**e na garganta quando dou dois passos e vejo quem é.
Lucas.
Sentado no sofá, com um copo de whisky na mão e… os olhos totalmente em mim.

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