Pisco algumas vezes, só para ter certeza de que é realmente Lucas ali, sentado no sofá, me encarando com aqueles olhos verdes que parecem brilhar mesmo na luz fraca.
Copo de whisky na mão direita, sem gravata, com os primeiros botões da camisa abertos… ele parece relaxado.
Respiro fundo, tentando recuperar algum controle sobre meu corpo.
— Sr. Sinclair — digo, tentando manter as coisas profissionais. — Eu… não sabia que já estavam em casa.
Ele bebe um gole lentamente, sem tirar os olhos de mim.
— Não fui ao jantar — responde, num tom baixo, controlado. — Tinha trabalho a resolver.
Assinto, sem saber bem o que dizer.
Deveria subir antes que as coisas desandem? Fingir que não estou me sentindo como uma adolescente pega voltando tarde?
— Onde você foi?
A pergunta é simples. O tom… nem tanto.
— Fui… na casa da minha amiga — respondo, tentando manter a voz firme. — No Brooklyn.
Silêncio.
Um silêncio pesado que parece empurrar o ar para fora dos meus pulmões.
Ele me observa por mais alguns segundos intermináveis, então vira o resto do whisky de uma vez e se levanta.
Meu corpo inteiro entra em alerta.
Ele caminha na minha direção, e cada passo faz meu coração bater mais alto. Paro de respirar quando ele para bem na minha frente.
Perto demais.
Tão perto que sinto o cheiro do whisky misturado ao perfume dele. Tão perto que, se eu respirar fundo, encosto meu ombro nele.
Meu rosto esquenta na hora. Ótimo. Parece que ficar vermelha sempre que estou perto dele virou hobby.
— O que você…
Tento falar, mas paro quando percebo que ele não veio falar comigo. Ele só quer mais bebida. E eu tive a brilhante ideia de ficar justamente na frente do bar.
— Com licença — ele murmura, estendendo o braço ao meu lado.
Me afasto um pouco, mas não o suficiente. A sala de estar dos Sinclair pode ter o tamanho de um campo de futebol, mas, agora, parece minúscula.
Lucas pega a garrafa de whisky e, absurdamente perto, enche o copo com uma calma irritante.
— Na próxima vez — ele diz, sem me olhar —, me avise antes de sair.
Franzo a testa.
— Te avisar? — Respiro fundo, tentando não parecer atrevida demais. — O que faço fora do meu horário de trabalho não é…
— Para ir com o motorista — ele me corta, levantando os olhos. — O Brooklyn fica longe e não é um bom lugar para você ir sozinha à noite.
Ah.
Meu cérebro leva uns segundos para entender.
Ele não estava querendo saber da minha vida. Ele só está… preocupado comigo? Por quê?
— Eu… não sabia que podia usar o motorista para isso — murmuro, desviando o olhar. — Sou só uma funcionária.


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