“Blair Knight”
A chuva continua caindo sem parar. E não é aquela garoa fina, mais irritante do que perigosa.
É chuva de verdade. Daquelas que batem no para-brisa com força suficiente para o limpador mal dar conta e transformam as luzes dos outros veículos em borrões alaranjados que não ajudam em nada.
Aperto o volante com as duas mãos e foco na pista à minha frente.
Jasper sempre dirigia nessas situações.
Na verdade, Jasper dirigia em qualquer situação, e eu nunca precisei me preocupar com isso. Estava acostumada a simplesmente entrar no carro e chegar em algum lugar.
Agora estou aqui, com as mãos no volante de um carro que raramente dirijo, numa noite que não para de chover, tentando lembrar como se faz isso.
— Blair — Oliver diz, do banco de trás. — Você não prendeu meu cinto.
— Eu sei, não deu tempo — respondo, olhando pelo retrovisor rapidamente. — Então fica quieto e tenta se prender sozinho.
— Mas eu não consigo. O papai sempre prende pra mim. Ou a Ivy, porque ela sempre fala que tem que prender pra não…
— Oliver — corto, seca. — Para de falar um segundo, pelo amor de Deus.
Minha ordem funciona, e ele finalmente fica quieto. Olho pelo retrovisor de novo e o vejo agarrando o dinossauro com uma mão, enquanto a outra tenta prender o cinto, em vão.
Balanço a cabeça e volto a atenção para a estrada.
Preciso pensar. Preciso decidir o que fazer agora.
Meu pai foi preso, e sei que é só questão de tempo até cumprir o que prometeu. Ele vai me entregar. Vai deixar claro que fui eu quem usou o nome dele para fazer tudo isso.
Quando isso acontecer, preciso estar longe daqui.
O problema é que não planejei isso direito. Só arrumei uma mala às pressas e saí, com uma criança barulhenta e sem nenhum destino concreto além de longe.
E longe não é endereço suficiente para o que preciso agora.
O celular no banco do passageiro ilumina pela décima vez.
Lucas.
Não atendo, claro.
— Tô com fome — Oliver diz.
— Você acabou de comer os biscoitos que eu trouxe.
— Mas eu tô com fome de novo.
— Daqui a pouco você come.
— Você falou isso e não parou.
— Quieto, Oliver — digo, alto o suficiente para ele finalmente parar de falar.
A chuva piora, me irritando ainda mais. Os limpadores trabalham no máximo e, ainda assim, a visibilidade é ruim o suficiente para me fazer apertar os dedos no volante.
Deveria ter esperado a chuva passar.
Mas não tinha tempo.
— Quero ir embora — Oliver diz, de repente.
— Estamos indo viajar.
— Não quero viajar. Quero ir pra minha casa de verdade.
— Essa também vai ser sua casa, Oliver.
— Não vai — ele responde, mais alto. — Na minha casa tem o papai, o Liam e a Ivy. Eu quero ir pra lá.
— Oliver, agora não é a hora.
— Posso ligar pro papai?
— Não.
— Por quê?
— Porque não! — grito, perdendo de vez a paciência.
Finalmente, ele fica em silêncio no banco de trás.


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