“Lucas Sinclair”
A localização que o segurança me enviou atualiza a cada três segundos.
Fico olhando para ela no painel enquanto dirijo, alternando entre a tela e a estrada à minha frente. A chuva não ajuda em nada. B**e no para-brisa com força suficiente para transformar tudo em borrão.
Mas não diminuo a velocidade.
Não consigo.
— Eles ainda estão se movendo — Owen diz, com os olhos fixos no celular. — Estão na rodovia.
— Quanto falta?
— Sete minutos, no trânsito normal.
Piso mais fundo, e Owen não comenta. Ele sabe que agora não é hora.
Todos dirigem com cautela por causa do tempo, e cada veículo à minha frente que não se move rápido o suficiente me custa mais paciência do que ainda tenho.
Oliver está naquele carro.
E Blair não está planejando parar.
Esse pensamento ocupa minha cabeça desde que o segurança ligou. E não sai. Não importa o quanto eu tente organizar os próximos passos, calcular a distância, manter a cabeça no lugar.
Meu filho está naquele carro. Blair está dirigindo com pressa. Está chovendo e…
— Lucas — Owen fala, de repente. — A localização parou de se mover.
Olho para a tela e vejo o ponto vermelho parado. Por um segundo, um único segundo, solto o ar que estava segurando.
O segurança conseguiu fazê-la parar. Interceptou o veículo, bloqueou a saída. Alguma coisa funcionou e ela…
O celular toca, interrompendo meu alívio.
Owen atende no viva-voz antes que eu precise pedir.
— Sr. Sinclair — o segurança diz, diferente desta vez. Cauteloso demais. — Eu sinto muito. Aconteceu um acidente e…
O resto das palavras chega, mas não fica.
Ouço a voz dele, Owen respondendo alguma coisa, o limpador batendo no para-brisa.
Mas a única coisa que meu cérebro processa é uma palavra. Como se ele se recusasse a deixá-la passar e insistisse em repeti-la até fazer sentido.
Acidente.
Acidente.
Acidente.
Piso fundo.
— Lucas — Owen diz, com a mão no meu braço. — Ainda consegue dirigir?
Não respondo. Piso ainda mais no acelerador, seguindo o ponto vermelho parado no GPS, como se minha vida dependesse de chegar lá em segundos.
Quando finalmente chego ao local, a cena me trava por um único segundo.
O carro de Blair está no canteiro entre as pistas, capotado, o teto achatado contra o asfalto molhado, os vidros espalhados pela pista.
Um dos limpadores ainda funciona, batendo de um lado para o outro contra o que sobrou do para-brisa, num ritmo constante, mecânico… como se não tivesse recebido o recado de que não há mais nada para limpar.
Paro o carro na beira da estrada e saio antes de desligar o motor.
A chuva me alcança imediatamente, mas não sinto o frio. Fico parado por um segundo mais longo do que deveria.
Depois, começo a andar.
— Lucas — Owen grita atrás de mim.
Não respondo. Continuo andando mais rápido até chegar perto o suficiente para ver.


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