As portas da ambulância se fecham com um baque seco.
O espaço é pequeno demais, com equipamentos por todo lado e dois paramédicos que se movem com uma urgência que não deixa margem para erro.
Oliver está na maca à minha frente. Pálido demais. Quieto demais.
Meu filho nunca fica quieto. E é isso que piora tudo.
Me enfio num canto e fico de joelhos ao lado dele. Coloco a mão no rosto, tentando limpar o sangue que continua escorrendo da sobrancelha, mesmo sabendo que não faz diferença.
Que provavelmente só atrapalha. Que não é isso que ele precisa agora.
Mas não consigo parar.
— Pressão caindo — um dos paramédicos diz, sem olhar para mim.
— Precisamos de acesso venoso, já — o outro responde, sem tirar os olhos do monitor.
— Ele vai ficar bem? — pergunto, e minha voz sai baixa. Falha.
Nenhum dos dois responde, não porque não ouviram. Mas, porque não podem confirmar isso.
O monitor apita com um som irregular que faz meu estômago revirar.
— Precisamos chegar logo — um deles diz, ajustando a linha do soro.
A ambulância acelera, e o movimento faz tudo balançar. Me seguro na lateral com uma mão, enquanto a outra continua no rosto do meu filho.
Oliver não acorda. Não reage.
A chuva b**e no teto metálico da ambulância, num ritmo constante que não combina com nada do que está acontecendo aqui dentro.
Continuo olhando para ele, para o rosto pequeno, quieto demais. Para uma situação grande demais para alguém da idade dele.
Eu daria tudo para estar naquela maca, no lugar dele.
— Senhor, preciso que o senhor recue um pouco — o paramédico solicita, sem rispidez.
Obedeço, sem discutir. Sem forças.
Depois de minutos que parecem não acabar, a ambulância para bruscamente. As portas traseiras se abrem antes mesmo de eu perceber que chegamos e as vozes urgentes voltam a ecoar.
A maca desce com um clique, as rodas batem no asfalto molhado e os dois paramédicos começam a correr.
Vou atrás sem pensar duas vezes. Entro no hospital atrás deles, acompanhando o ritmo acelerado das rodas da maca no corredor, com os olhos fixos no meu filho.
Viro à esquerda. Viro à direita. Corredor após corredor, até que as portas duplas aparecem à frente.
Centro cirúrgico.
Alguém se coloca na minha frente e segura meu ombro com uma firmeza que não deixa margem para questionamentos.
— O senhor não pode passar daqui.
— Mas… meu filho…


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