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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 168

“Ivy Collins”

O médico ainda está falando.

Vejo os lábios dele se mexendo, Lucas parado ao meu lado e Owen do outro, mas é como se alguém tivesse colocado um vidro entre mim e tudo que está acontecendo.

“O senhor tem certeza de que é o pai biológico?”

A pergunta ainda ecoa.

Desvio os olhos para Lucas, que continua com aquele olhar de quem ouviu perfeitamente as palavras, mas ainda não deixou que chegassem até o lugar onde doem.

Porque há coisas bem mais urgentes que isso.

Oliver quase morreu. Ainda pode morrer. Está do outro lado dessa porta, com uma laceração no fígado e sangue saindo mais rápido do que deveria, esperando por alguém que possa ajudá-lo.

Não é o momento para isso. Não é o momento para processar, para entender, para sentir o peso do que essa pergunta significa.

Mas a dúvida não pergunta se é hora.

Respiro fundo, forçando meu cérebro a voltar para o que importa. Para o que é urgente. Para o menino de quatro anos que está do outro lado daquela porta, esperando por sangue que ainda não chegou.

— Como disse, o senhor não pode ser o doador — o médico repete, olhando para Lucas. — Precisamos de alguém compatível com urgência. Há outra pessoa da família que…

— Eu sou O negativo — digo, antes de pensar.

Os três me olham ao mesmo tempo.

— Eu sou O negativo — repito, sentindo a voz embargar. — Podem usar meu sangue. Todo ele, se for preciso, mas salvem o meu pequeno astronauta.

— Precisamos confirmar rapidamente — diz, já fazendo um gesto para alguém atrás de si. — Tipagem e compatibilidade imediatas. Leve-a.

Uma enfermeira aparece ao meu lado antes que eu consiga dizer mais alguma coisa.

— Por aqui.

Solto a mão de Lucas, mesmo sem perceber que estava segurando, e sigo a enfermeira pelo corredor.

Não olho para trás, porque, se eu olhar, vou parar para dizer que tudo ficará bem, que ele não está sozinho. Especialmente agora.

Mas não posso fazer isso.

Não agora.

O caminho até a sala parece curto demais e longo demais ao mesmo tempo. Me sento quando mandam, estendo o braço quando pedem, respondo perguntas que mal escuto.

— Nome completo?

— Ivy Collins Harris.

— Alguma condição médica?

— Não.

— Última refeição?

— Não sei.

A enfermeira termina as anotações e se vira com uma agulha.

— Você vai sentir uma picada — ela avisa.

Assinto. No entanto, a agulha entra e nem sinto.

A dor física é indiferente. Só consigo pensar nele.

No menino de cabelos escuros e olhos travessos, que ama o espaço, dinossauros e que toda semana inventa uma teoria nova.

No garotinho que vive gritando meu nome, como se tudo fosse urgente, como se qualquer coisa que tivesse para me contar não pudesse esperar mais um segundo.

No pequeno astronauta que entrou na minha vida por necessidade, mas que se tornou uma das pessoas mais importantes dela.

— Preciso que a senhora mantenha o braço relaxado — a enfermeira diz.

Assinto, mesmo sem ter certeza se estou fazendo isso.

A postura dos dois diz tudo antes que eu ouça uma palavra.

Owen, com os braços cruzados, a testa franzida e a voz baixa demais para que eu consiga ouvir. Lucas, com o maxilar travado e o olhar perdido, como se estivesse carregando algo que ficou pesado demais nos últimos minutos.

Eles param de falar quando me veem.

Owen se afasta discretamente, abrindo espaço, e Lucas vem na minha direção.

— Como você está? — ele pergunta, olhando para o curativo no meu braço.

— Não importa — respondo, baixo. — Eles disseram mais alguma coisa?

Lucas passa a mão no rosto, cansado. Exausto.

— Disseram que os próximos minutos são críticos.

Assinto, sentindo meus olhos arderem novamente, mas, dessa vez, me esforço para não chorar. Lucas merece calma, força, não mais drama.

Respiro fundo e fico olhando para ele por um momento. Para o jeito como ele tenta se manter inteiro, quando claramente não está.

— Quer conversar? — pergunto, baixinho.

Ele fica em silêncio por um segundo.

Os olhos dele desviam dos meus, indo para o chão por um instante, como se estivesse tentando organizar algo que não tem ordem possível.

— Ainda estou tentando entender — diz, por fim, com uma honestidade que dói.

Dou um passo à frente e o abraço sem dizer nada. Ele encosta o queixo na minha cabeça e, imediatamente, sinto a respiração dele mudar, como se soltasse algo que estava preso.

Ficamos assim por um momento, no corredor branco e frio do hospital, enquanto o mundo lá fora continua girando sem pedir licença.

Até que o médico aparece no corredor.

E nós nos viramos ao mesmo tempo.

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