A piscina vira território disputado assim que o último garfo encosta no prato.
— Posso ir agora? — Oliver pergunta, já se levantando antes mesmo de esperar a resposta.
— Espera cinco minutos — Lucas responde, limpando as mãos com uma calma que o faz bufar.
— Mas eu já esperei muito, papai!
— Você esperou enquanto comia.
— E demorou muito!
Liam já está de pé, pronto para correr.
— Então a gente pode trocar de roupa enquanto espera? — pergunta, tentando ser estratégico.
— Cinco minutos — reforço, firme. — Isso vale para os dois.
Os meninos trocam um olhar rápido e desaparecem escada acima, ignorando completamente a parte do “subam devagar”.
— A gente devia ter reforçado essa parte — murmuro.
— Já aceitei que não vai acontecer — Lucas responde, tranquilo demais.
Solto um riso baixo, apoiando as mãos na mesa por um segundo antes de me levantar.
Não demora para o som de passos apressados voltar pelo corredor. Os dois descem quase escorregando no último degrau, já de sunga, boias nos braços e energia acumulada.
— Agora pode? — Oliver pergunta, quase sem fôlego.
Lucas olha para o relógio no pulso.
— Agora pode, mas nada de…
Eles nem esperam que ele termine, só saem correndo para a área externa, como se alguém pudesse mudar de ideia a qualquer segundo.
Caminhamos até a varanda com calma, assistindo os dois atravessarem o jardim e praticamente se jogarem na piscina infantil.
— CUIDADO! — digo, já sabendo que é inútil.
O splash responde por eles.
Liam emerge primeiro, rindo alto. Oliver aparece logo depois, com os cabelos colados na testa e um sorriso que eu não via daquele jeito há semanas.
Sem medo. Sem cautela.
Só… ele.
Sento na espreguiçadeira mais próxima e Lucas se acomoda na de ao lado, inclinando levemente o encosto para acompanhar os dois com o olhar.
— OLHA ISSO! — Oliver grita, mergulhando de um jeito completamente desengonçado.
— Isso foi horrível — Liam responde, rindo.
— Foi incrível! Sou um nadador profissional!
— Não é nada!
Lucas ri ao meu lado.
— Debate produtivo.
— Muito — concordo, rindo também.
O tempo passa sem que eu perceba.
O som da água, das risadas, do vento leve… tudo se mistura numa tranquilidade que parece quase irreal depois de tudo.
Até que Oliver para, apoiando os braços na borda da piscina.
— Ivy! Você também tem que entrar!
— Eu?
— Tem! — Liam reforça. — Todo mundo tem!
Olho para Lucas, que já está me encarando com aquele olhar travesso de quem vai me forçar a obedecer às ordens dos pequenos.
— Acho que eles têm um ponto.
— Você não vai me jogar na piscina, Lucas Sinclair.
Oliver mal consegue manter os olhos abertos enquanto fala alguma coisa sobre dinossauros aquáticos que claramente não fazem sentido.
Liam responde com a mesma lógica duvidosa.
Alguns minutos depois, os dois terminam o jantar quase dormindo sobre os pratos. Subimos com eles, damos banhos rápidos e, em poucos minutos, já estão largados em suas camas.
Paro na porta do quarto, observando os dois por um instante. Tão tranquilos. Tão serenos.
Quando me viro, encontro Lucas parado no corredor, me esperando.
— Missão cumprida? — ele pergunta, baixo.
— Com sucesso — respondo, fechando a porta com cuidado.
Ele assente, satisfeito, pega minha mão e caminhamos até o quarto sem pressa, como quem finalmente tem tempo e ainda está reaprendendo o que fazer com isso.
— Então… sobre aquela promessa… — murmuro, quebrando o silêncio quando paramos diante da porta. — Você já está cansado demais ou vai conseguir cumprir?
— Cansado? — ele repete, com a mão na maçaneta. — De que exatamente?
— Longo dia, crianças, piscina… — dou de ombros, provocando. — Achei que talvez o Sr. Sinclair estivesse precisando de descanso.
— Nunca estou cansado quando se trata de você, atrevida — responde, dando um passo na minha direção.
A mão dele encontra minha cintura, firme, me puxando um pouco mais para perto. O suficiente para deixar claro que ele não está brincando.
— Nem faço promessas que não posso cumprir — completa, rouco. — Principalmente quando você parecia bem interessada em ver como isso ia terminar.
Engulo em seco, sentindo a pele arrepiar com a intensidade do olhar dele.
Lucas se afasta, abre a porta do quarto e me dá passagem. Assim que ouço o clique da tranca, ele já está me olhando, mas não do jeito contido dos últimos dois meses.
Do jeito dele.
Ele se aproxima devagar, segura minha cintura sem dizer nada e me puxa mais uma vez para perto dele.
— Dois meses me comportando, atrevida — ele murmura, com a boca no meu pescoço. — Mas agora que tudo finalmente está no lugar… o bom comportamento acabou.
E, dessa vez, eu não tenho nenhuma intenção de impedi-lo.

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