As vozes ao meu redor se misturam, altas demais, rápidas demais, como se todas estivessem acontecendo ao mesmo tempo.
Mas não consigo acompanhar nenhuma.
Continuo olhando para a porta da cozinha, por onde ele passou. Como se, a qualquer segundo, Simon fosse simplesmente aparecer de novo, com a mesma calma absurda. Como se nada tivesse acontecido.
Como se aquilo ainda fosse… normal.
— Srta. Sinclair? — Um policial chama, segurando meu braço dessa vez. — Preciso levá-la para fora.
Pisco algumas vezes, forçando meu corpo a reagir. Dou o primeiro passo, sentindo as pernas tremerem.
Passo pela sala, pelas paredes limpas demais, que agora parecem ainda mais perturbadoras.
E então vejo a foto novamente. Paro no meio do caminho, solto meu braço da mão do policial e me aproximo.
Na imagem, estou na minha sala, completamente concentrada. Totalmente alheia ao fato de que alguém estava ali… me observando.
Meu estômago revira.
— Ele… — começo, mas a palavra morre quando olho para o lado.
Leva um segundo para meu cérebro entender o que estou olhando, porque não é só uma foto. São três.
Ângulos diferentes. Roupas diferentes. Dias diferentes.
Meu peito aperta de um jeito que quase dói.
O policial volta a segurar meu braço, dizendo alguma coisa, mas não escuto. Meus olhos continuam presos nas imagens enquanto ele me conduz para fora.
Quando passo pela porta, a luz do sol me atinge com força, seguida pelos carros, sirenes, homens uniformizados.
E, ainda assim… Nada disso é suficiente para convencer minha mente de que estou segura.
Eles me levam até a ambulância e tudo volta a se dissolver em um borrão.
Alguém segura meu pulso, verificando meus sinais. Outra pessoa fala comigo, fazendo perguntas básicas: nome, idade, se sinto dor.
Respondo automaticamente. Como se estivesse assistindo a mim mesma de longe.
— Sophia? — A paramédica chama, agachada à minha frente. — Preciso que você olhe para mim.
Obedeço. Ou pelo menos tento.
Ela continua com as perguntas, práticas, objetivas, e eu respondo porque responder é mais fácil do que pensar.
Porque, enquanto digo meu peso aproximado, minha data de nascimento, se me sinto tonta… ninguém me pergunta a única coisa que realmente importa.
Como ele sabia tanto?
A lona na entrada da ambulância se mexe e alguém sobe os degraus de uma vez só.
— Sophia.
Levanto a cabeça e vejo Lucas entrar como um furacão. Cabelos bagunçados, sem gravata, as mangas da camisa dobradas até os cotovelos e o rosto pálido.
Não vejo meu irmão assim desde o acidente do Oliver.
Lucas segura meu rosto com as duas mãos, com cuidado. Como se eu fosse feita de vidro e ele ainda não soubesse onde estão as rachaduras.
— Você está bem? Está ferida? Ele fez alguma coisa com você?
As perguntas saem baixas, mas há violência suficiente nelas para me fazer fechar os olhos por um segundo.
— Não — respondo, sem saber exatamente qual pergunta estou respondendo.
— Tem certeza?
— Tenho — murmuro, abrindo os olhos.
Meu irmão expira devagar, como se estivesse se segurando no lugar.

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