A porta da SUV se fecha com um som seco, isolando o caos do lado de fora.
Mas não o suficiente. Ainda consigo ver a casa.
Mesmo quando o carro começa a se afastar, meus olhos permanecem presos nela.
Pequena, organizada. Bonita, até.
Qualquer pessoa que passe ali na frente não vê nada além de uma casa comum em uma rua comum. Não vê o quarto. A cozinha. As fotos.
Não vê a obsessão.
Meu estômago se contrai.
— Sophia — ouço Lucas chamar, baixo demais, controlado demais.
Não respondo.
Continuo olhando pela janela, como se, a qualquer segundo, a porta fosse se abrir e ele fosse aparecer sorrindo para mim. Como se nada tivesse acontecido.
— Sophia!
Meu irmão chama novamente, dessa vez firme o suficiente para me fazer virar o rosto e encará-lo.
Ele está sentado à minha frente, inclinado para frente, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos entrelaçadas com força demais.
— Você vai ficar na casa dos nossos pais — ele diz, direto, sem espaço para negociação.
— Não — respondo no mesmo instante.
— Não foi uma pergunta.
— Lucas, eu quero ir para o meu apartamento — falo, mais firme. — Preciso de um banho, trocar de roupa… preciso de um pouco de normalidade.
Lucas nem pisca.
— Não — rebate, no mesmo tom. — Ele sabe onde você mora.
— Ele também sabe onde nossos pais moram e…
— Seu apartamento não é uma opção.
A voz que me interrompe não é a do meu irmão.
Desvio os olhos e encontro Blake no banco da frente, me observando pelo retrovisor. Frio. Objetivo.
Como se estivesse analisando um relatório, não falando com uma pessoa.
Solto um riso curto, sem humor.
— Engraçado. Eu não lembro de ter pedido a sua opinião.
Lucas solta um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto.
— Sophia…
— Não, espera — corto, me inclinando para frente. — Quem exatamente você acha que é para decidir o que eu posso ou não fazer?
— Alguém que está avaliando risco — responde, sem irritação, sem se abalar.
— Eu não sou um risco. Simon é.
— Não estou dizendo que você é o risco. Você é o alvo.
Fico quieta por um momento, odiando o fato de ele estar certo. Mas, ainda assim, me nego a ficar quieta.
— Preciso pelo menos passar lá e pegar minhas coisas — insisto, tentando retomar algum controle da minha vida. — Está tudo lá.
— E ele sabe disso — Blake responde, sem hesitar. — Assim como sabe sua rotina, seus horários e seus hábitos.
— É muito mais fácil controlar o acesso a uma casa isolada do que a um prédio com dezenas de entradas, funcionários e circulação constante — Lucas completa, firme. — Você vai direto para a casa dos nossos pais. Ponto final.

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