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A Babá Proibida do CEO romance Capítulo 208

O silêncio se estende enquanto olho para cada rosto na sala.

Chicago.

A palavra fica girando na minha cabeça com uma lógica que faz sentido demais para ser confortável.

Sim, conheço os problemas da filial. Acompanho de perto, desde o último trimestre, os relatórios que chegam com números inconsistentes, a equipe local que precisa de direcionamento que o Lucas não consegue dar à distância.

E, além de conhecer, é claro que consigo resolver isso.

Mas…

— Não — digo, por fim, mas a palavra sai mais hesitante do que eu gostaria. — Não posso simplesmente… deixar minha vida aqui, meu apartamento, minha rotina e ir para Chicago como se isso fosse…

— Sophia — Lucas começa. — A Ivy deu uma ótima opção e você sabe.

Mordo a bochecha, desviando os olhos para a janela, para Manhattan que continua lá fora, completamente alheia a tudo isso, e sinto a raiva surgir.

Aquela raiva de quem vê a própria vida tomar um rumo que não queria e não sabe como lidar com isso.

— Ou — digo, me virando para Blake — vocês podem me usar como isca. Se ele quer me encontrar tanto assim, então que me encontre com vocês preparados para isso. Simon aparece, vocês prendem ele, acabamos com isso de vez… e eu tenho minha vida de volta.

A sala fica quieta de um jeito diferente.

Minha mãe fecha os olhos por um segundo. Lucas abre a boca e fecha de novo. Meu pai me olha de maneira totalmente insatisfeita.

Blake me observa por um segundo antes de responder.

— Não é assim que funciona — ele responde, finalmente.

— Por quê?

— Porque, para executar uma operação desse tipo com o mínimo de segurança, precisaríamos de inteligência suficiente sobre os padrões de movimento dele, os pontos de acesso que utiliza e com quem eventualmente opera. No momento, não temos nada disso.

Ele fala sem pressa, como quem já considerou e descartou essa possibilidade antes mesmo de eu terminar de formulá-la.

— Se colocamos o indivíduo em uma situação de confronto direto antes de entender completamente como ele pensa e se move, não estamos armando uma armadilha. Estamos oferecendo uma oportunidade perfeita. Para ele.

— Então, enquanto vocês descobrem tudo isso, a solução será… fugir?

— Não estamos fugindo, estamos tirando você do raio de alcance enquanto trabalhamos com o que temos. São coisas diferentes, senhorita.

Fico olhando para ele por um segundo mais longo do que o necessário. Porque a resposta dele não é só técnica.

É definitiva.

Solto o ar devagar e volto a olhar pela janela, procurando outra solução que, pelo visto, não existe mais.

Sinto o sofá afundar levemente ao meu lado e, quando viro o rosto, encontro Ivy me encarando.

Se fosse Lucas com um lunático mapeando cada ponto cego ao redor dele, eu estaria do outro lado dessa conversa, com os braços cruzados e a voz firme, dizendo que não há o que discutir.

Se fosse a Ivy, eu a colocaria em um avião só com a passagem de ida.

Se fosse qualquer pessoa nessa sala, com exceção do robô de terno que provavelmente não tem sentimentos a serem considerados, eu estaria do outro lado desse argumento, empurrando com as duas mãos.

E não teria a menor paciência para quem ficasse inventando justificativas para não ir.

Solto o ar devagar.

A sensação de que estou abrindo mão de algo que não deveria precisar abrir mão continua incomodando.

Mas, depois dela, também está a consciência de que às vezes a coisa certa e a coisa que queremos não ocupam o mesmo lugar.

— Eu odeio quando você faz isso — digo para a Ivy, por fim. — Odeio quando resolve agir como alguém com o dobro da sua idade e me desmonta com esses argumentos.

Ela sorri de leve, segurando minha mão.

— Tudo bem — digo, por fim. — Vou para Chicago.

A sala não comemora. Ninguém sorri ou solta o ar de alívio de forma exagerada, e sou grata por isso.

— Vou para Chicago — repito, mais para mim do que para qualquer um deles. — Acho que consigo brincar de CEO enquanto tentamos recuperar a minha vida aqui.

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