“Sophia Sinclair”
O silêncio que se segue dura tempo demais para ser confortável.
O apartamento, que até dois segundos atrás parecia uma réplica perfeita do meu em Manhattan, de repente ficou menor.
Pisco, processando.
— Não — digo, cruzando os braços com força. — Você não vai ficar aqui. Isso não faz o menor sentido! Tem um apartamento inteiro ao lado cheio de homens armados, treinados e pagos exatamente para isso.
— Tem — ele concorda, como se estivéssemos discutindo o clima.
— Ótimo. Então você pode ir para lá.
— Não.
A resposta vem na mesma voz baixa e controlada. Sem elevação, sem emoção. Só “não”.
Sinto a irritação percorrer minhas veias.
— Desculpa, acho que você não entendeu — insisto, dando um passo na direção dele. — Isso aqui é o meu apartamento. Meu. Não um quartel-general.
— Na verdade, este é o apartamento onde a senhorita vai permanecer sob minha proteção.
— Que seja! Mas ainda assim, vamos deixar isso bem claro.
Dou mais um passo, me aproximando o suficiente para sentir o cheiro dele. Algo limpo, caro, com um toque amadeirado que me irrita por ser tão… bom.
— Você vai pegar esse seu terno impecável, atravessar aquela porta e se juntar aos seus soldadinhos de chumbo. E eu vou ficar aqui, sozinha, como qualquer pessoa normal faria.
— Não.
Não? Quem ele pensa que é?
— Certo — murmuro, respirando fundo. — Já que você quer assim, vamos fazer o seguinte.
Ele inclina a cabeça de leve, como se estivesse achando a cena divertida, mas sem deixar transparecer.
— Se você quer ficar, fica — continuo, levantando um dedo. — Mas vou garantir que essa seja a pior decisão profissional da sua vida.
Faço uma pausa curta, só para ver se ele reage. Mas, é claro, o robô de terno permanece com a mesma expressão indecifrável.
— Eu falo alto. Ando de pijama pela casa sempre que posso. Escuto música no último volume. Levanto de madrugada para comer sorvete direto do pote. Vou questionar absolutamente tudo que você disser.
Levanto outro dedo.
— E, se isso não funcionar, eu posso começar a trazer gente aqui. Amigos. Colegas. Quem sabe até um namorado, só para deixar o ambiente mais… interessante.
Inclino a cabeça, imitando o gesto dele de propósito.
— Vamos ver quanto tempo você aguenta antes de correr para o outro apartamento implorando por misericórdia.
Termino de falar e fico parada, esperando.
Blake sustenta meu olhar, como se estivesse apenas aguardando que eu seja a primeira a ceder. Cruzo os braços novamente, me esforçando para não fazer isso.
Se ele quer dificultar, vou mostrar para ele que posso ser ainda pior do que já sou.
⋆ ˚。⋆୨୧˚
“Blake Reeve”
Sophia finalmente para de tentar me amedrontar e continua me encarando.
Queixo erguido, olhos estreitos e o rosto corado, não sei se pelo sol que entra pela janela ou pela raiva.
Levo dois segundos antes de responder. Não porque preciso pensar, mas porque gosto de deixá-la esperando.
Porque gosto de deixá-la acreditar que ainda consegue ter controle de algo.

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