“Sophia Sinclair”
O almoço chega exatamente vinte minutos depois, como ele prometeu.
Claro que chega. Blake Reeve não parece o tipo de homem que se atrasa nem em promessas pequenas.
Dois homens da equipe entregam as sacolas na porta. Blake recebe tudo, verifica as embalagens como se esperasse uma bomba dentro do pad thai e só então leva as caixas para a ilha da cozinha.
— Almoço — anuncia, voltando para a sala.
— Você pode me servir — respondo, sem me levantar do sofá. — Como a empregada só começa amanhã, você pode fazer isso, certo?
Ele me observa por um segundo, e isso quase me faz rir. Eu disse que vou fazer de tudo para tirá-lo daqui, certo? Então, vamos começar desde já.
— Não sou seu mordomo, Srta. Sinclair — diz, por fim. — Sou sua proteção.
— Mesmo? — respondo, suspirando de forma exagerada. — Poxa, já estava começando a me acostumar com a ideia de ter um mordomo armado.
Blake me ignora, claro. Ele se vira e volta para a cozinha, encerrando a conversa.
Reviro os olhos, mas me levanto mesmo assim. Porque, apesar de tudo, estou com fome. E, porque morrer de fome só para provar um ponto seria ridículo até para mim.
Caminho até a ilha da cozinha e paro do outro lado, observando enquanto ele abre as caixas com a mesma atenção metódica de sempre. Depois, empurra um prato na minha direção.
Me sento na banqueta, pego o garfo e cutuco a comida, procurando minha próxima provocação.
— Sabe, estou pensando em pedir uma pizza para o jantar. Com bastante queijo e pepperoni. Mas imagino que isso vá contra uns três protocolos seus.
— Quatro — corrige, simplesmente. — Entrega externa sem verificação prévia, origem desconhecida, manipulação fora de ambiente controlado e tempo de exposição.
Blake começa a comer como se estivesse sozinho, mas seus olhos permanecem fixos em mim. Isso me deixa inquieta. Não gosto de ser observada como se eu fosse uma missão em andamento.
— Sabe o que é engraçado? — continuo, sem conseguir me segurar. — Faz dias que você me segue como uma sombra, mas eu ainda não sei quase nada sobre você. Tipo… você tem família? Amigos? Ou só um quartel em algum lugar com mais homens sérios como você?
— Minha vida não é relevante para a minha função aqui.
— Ah, claro. Porque, se eu souber que você tem uma mãe que liga todo domingo, isso vai comprometer a segurança nacional.
Blake bebe um gole d’água e tenho quase certeza de que faz isso só para esconder um sorriso. Ou pode ser só minha imaginação.
— Minha função é te proteger, Srta. Sinclair. Não entreter você com a minha biografia.
— Mesmo? Porque isso seria interessante. Ainda mais considerando que você decidiu morar comigo sem nem me perguntar.
Dou outra garfada, mastigando devagar enquanto observo a reação dele. Nada.
— Bem, já que você não quer falar, eu falo — insisto, me inclinando para frente. — Sabia que tenho uma teoria? Acho que você não dorme, só fica parado no canto do quarto como um daqueles robôs de filme de terror, vigiando a porta a noite inteira.
Ele continua comendo, em silêncio.

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