Tiffany está parada no corredor, com um sorriso contido, segurando duas sacolas de papel pardo. Roupa social, cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo e um visual de “eu vim trabalhar, não fofocar”.
Blake permanece mais dois segundos encarando-a, com a mão no coldre, mesmo que o painel de segurança tenha mostrado o nome dela como “autorizada”.
— Srta. Lawson — ele diz, com a voz neutra. — Lista de pessoas seguras. Confirmado.
— Bom dia, Sr. Reeve.
Assim que Tiffany entra, ele estende a mão para as sacolas sem dizer mais nada. Ela entrega sem protestar, e ele examina cada item lá dentro, como se esperasse encontrar algo suspeito dentro de um croissant.
Só depois de uns bons quinze segundos ele devolve as sacolas e dá um passo para o lado, se afastando. Tiffany olha rápido ao redor do apartamento e só então volta a atenção para mim.
— Trouxe café da manhã — diz, levantando as sacolas. — Sei que você está presa aqui desde ontem e imaginei que ia gostar de um agradinho. Tem ovos mexidos, bagels e um latte extra forte para você.
Me aproximo, ainda meio surpresa. Não esperava ver ninguém tão cedo. Muito menos ela.
— Tiffany… o que você está fazendo aqui?
Ela tira o blazer, dobra com cuidado sobre o sofá e solta um suspiro longo.
— Trabalho — responde, tirando a pasta fina debaixo do braço. — O Sr. Sinclair deu ordens para trazer os mais urgentes, e me ofereci para vir. Imaginei que você precisava de um rosto amigo que não fosse pago para te vigiar 24 horas.
— Você não imagina o quanto — murmuro, desviando o olhar para Blake.
O chefe da segurança permanece em pé perto da porta, próximo o suficiente para ouvir, longe o bastante para fingir que não está.
Tiffany segue meu olhar e arqueia as sobrancelhas. Antes que ela possa perguntar algo sobre isso, gesticulo para que ela me acompanhe até a cozinha.
Quando estamos a sós, ela coloca as sacolas em cima da ilha e se vira para me encarar.
— Como está sendo isso de ter um homem gostoso desses te vigiando o dia inteiro? — pergunta, sorrindo de lado.
— Gostoso? — repito, fazendo uma pausa.
Porque a imagem dele ontem à noite, saindo do banheiro sem camisa, com aquele corpo que parece ter sido feito exclusivamente para ser uma distração, invade minha mente.
Balanço a cabeça, me repreendendo mentalmente. Essa coisa de ficar presa em casa está me deixando louca, só pode.
— Acho que você bateu a cabeça no caminho, Tiffany — continuo, fazendo uma careta exagerada. — Ele é insuportável, controlador e provavelmente dormiria abraçado com um manual de protocolos se pudesse.
Tiffany solta uma risada baixa, começando a abrir as sacolas. Pego o latte que ela empurra na minha direção e dou um gole. Perfeito.
— Sabe… — ela murmura, pegando sua bebida. — Esse tipo de “insuportável” costuma ser o mais perigoso.
— Não começa.
— Eu não comecei nada — rebate, inocente demais para ser verdade. — Só estou dizendo que você não negou que ele é gostoso.

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