Sem pressa, Blake me observa de cima a baixo, e juro que vejo algo mudar no maxilar dele por uma fração de segundo.
— Sim.
Sim. Uma palavra simples, mas com força suficiente para me desestabilizar completamente.
— Não. De jeito nenhum — digo, balançando a cabeça. — Tem um apartamento inteiro ao lado cheio de seguranças. Você pode dormir lá. Ou no sofá. Ou no chão da sala. Em qualquer lugar que não seja a parede do meu quarto!
— Protocolo de proximidade, Srta. Sinclair — responde, calmo demais. — Meu trabalho é ficar perto o suficiente para reagir em segundos se algo acontecer.
— Ficar perto? — solto uma risada incrédula. — Isso já é invasão de espaço pessoal em nível avançado! Eu mal aguento você no mesmo apartamento, e agora vamos dividir uma parede? E se eu roncar? E se eu falar dormindo? E se eu decidir dançar pelada no meio da noite só para te irritar?
Ele inclina ligeiramente a cabeça, como se estivesse considerando seriamente a possibilidade.
— Então recomendo que pense bem antes de tirar a roupa e transformar isso em um problema.
Abro a boca para responder, mas nada sai. Porque, de repente, fico hiperconsciente do fato de ele estar sem camisa, a poucos metros da minha porta.
Do fato de que ele vai estar ali a noite inteira. Do outro lado da parede. Perto demais.
Engulo em seco, apertando a garrafa de água contra o peito como se ela pudesse me proteger.
Blake parece perceber meu silêncio, ou talvez só queira encerrar a conversa, e passa por mim, indo em direção ao quarto.
— Boa noite, Srta. Sinclair.
Ele entra no quarto dele sem esperar resposta, fechando a porta com aquele clique calmo e irritante.
Fico parada no corredor por mais alguns segundos, com o coração batendo forte demais para alguém que só foi pegar água.
Uma parede. Só uma parede entre nós.
A realidade me faz puxar o ar com força. Porque, não importa o quanto eu tente, parece que não vou conseguir escapar dele tão fácil. Nem de dia, nem de noite.
Finalmente entro no meu quarto e fecho a porta, me encostando nela por um segundo, como se precisasse me lembrar onde estou.
— Ridículo, Sophia — resmungo, me afastando da porta. — É só uma parede.
Com um homem irritante, controlador e completamente sem noção de espaço pessoal do outro lado dela.
Caminho até a cama, deixo a garrafa de água na mesa de cabeceira e me jogo debaixo do cobertor, como se isso fosse, de alguma forma, resolver o problema.
Desligo o abajur, fecho os olhos e fico em silêncio… por dois segundos. Logo ouço passos vindo do outro lado.
Depois, o som de algo sendo encostado na parede. Uma porta abrindo, fechando. O leve rangido de madeira.
Prendo a respiração sem perceber.
Sério? Eu realmente estou fazendo isso?
Reviro os olhos no escuro e me viro para o outro lado da cama, puxando o cobertor até o queixo.
— Ignora. Só ignora, Sophia.
Mas não dá.

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