“Lucas Sinclair”
Escolhi meu tom mais profissional para ter essa conversa, mas assim que termino de falar, quase me arrependo de ter ido direto ao ponto.
Mas, não há outra maneira. Nunca gostei de rodeios; sempre prefiro resolver as coisas de uma vez.
E isso precisa ser resolvido hoje, antes que eu mude de ideia ou que amanhã a rotina me engula de novo.
Ivy encolhe na cadeira e seus ombros ficam tensos, como se estivesse se preparando para o pior.
Ela não diz nada, só espera.
— Durante essa semana — continuo, mantendo o tom profissional —, observei seu trabalho com o Oliver. Seu desempenho, sua capacidade de lidar com situações… inesperadas.
Ela engole em seco, mas ainda não fala. Os dedos apertam um pouco mais as próprias mãos.
— Você não fala nenhuma outra língua, não tem formação específica — digo, e vejo o rosto dela empalidecer levemente. — E, definitivamente, não seguiu o protocolo apropriado para conseguir essa vaga.
Vejo Ivy abaixar o olhar e, de alguma forma, isso me incomoda.
Porra.
Limpo a garganta e me recosto na cadeira.
— Mas meu filho não expulsou você — continuo, e ela levanta os olhos imediatamente. — E, além disso, ele parece mais calmo, mais… presente. Pela primeira vez em meses, Oliver dorme a noite toda sem pesadelos constantes. Ele sorri mais. Brinca mais.
Faço uma pausa, observando a expressão dela mudar lentamente.
— E, pela primeira vez — admito, num tom baixo —, eu não chego em casa e encontro meu filho trancado no quarto, sendo ignorado por todos.
Respiro fundo, sabendo que depois que eu falar, não terei como voltar atrás. Vou oficialmente manter meu caos ruivo na minha casa.
Na minha vida.
— Por essas razões, decidi contratá-la oficialmente, Srta. Collins — digo, finalmente. — Se quiser, claro.
Ela arregala os olhos e, por um momento, apenas me encara, boquiaberta. Então solta um suspiro e leva a mão ao peito.
— Eu… sim — responde, quase num sussurro. — Sim, eu quero, claro!
Assinto e pego a pasta que estava sobre a mesa.
— O salário será de nove mil dólares mensais — começo, retirando alguns documentos e deslizando-os na direção dela. — Você continuará morando aqui e terá direito a dois dias de folga por semana, a serem definidos conforme a necessidade do Oliver.
Ivy pega os papéis com as mãos levemente trêmulas e percebo que tenta processar tudo de uma vez.
— Nove… nove mil? — repete, com a voz fraca.
— Sim — confirmo. — O anúncio original oferecia sete mil. Mas, considerando sua dedicação e os resultados com o Oliver, decidi aumentar.
Ela apenas me encara, sem conseguir formular uma resposta.
— E, claro, há um contrato de confidencialidade que você precisará assinar, Srta. Collins.
Ela finalmente reage, desviando o olhar para os documentos.
— Contrato de… confidencialidade?
— Sim — respondo, empurrando outro papel na direção dela. — Tudo o que você vê, ouve ou presencia nesta casa não pode ser compartilhado com terceiros. Sob nenhuma circunstância.
Ela lê rapidamente as primeiras linhas, e percebo a expressão mudar.
— Isso inclui… tudo?
— Tudo. Conversas, comportamentos, o que aconteceu entre nós… Qualquer violação resultará em rescisão imediata e consequências legais.
— Entendo.
— Tem alguma dúvida sobre os termos?
Inevitavelmente, me lembro exatamente do que estávamos fazendo quando ela me chamou assim pela primeira vez.
Limpo a garganta e me levanto, encerrando a conversa antes que eu faça outra besteira.
— Pode ir — digo, contornando a mesa. — O Oliver deve estar te esperando.
Ivy se levanta também, mas em vez de seguir direto para a porta, permanece parada, me encarando.
E então, de repente, ela dá dois passos à frente e me abraça.
Fico completamente paralisado.
Os braços dela envolvem minha cintura, o rosto pressionado contra meu peito, e por um segundo meu cérebro simplesmente deixa de funcionar.
Não sei o que fazer, nem onde colocar as mãos sem fazer algo que não devo.
Se controle, Lucas.
— Obrigada — ela murmura, com a voz embargada. — Obrigada mesmo. Você não faz ideia do quanto isso significa para mim.
Sinto seu corpo tremendo contra o meu e percebo que o abraço não é mais uma provocação. É real. Ela está quase chorando.
Merda.
Meu corpo reage antes da minha mente.
Meus braços se levantam sozinhos, envolvendo as costas dela e, antes que eu possa pensar melhor, a puxo para mais perto, retribuindo o abraço.
Ela se afasta um pouco, levanta o rosto para me encarar, e nossos rostos ficam próximos demais.
Perto o suficiente para eu sentir seu cheiro de morango e baunilha.
Perto o suficiente para meus olhos descerem sozinhos até seus lábios entreabertos, enquanto mil besteiras passam pela minha mente.

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