Definitivamente, não raciocino muito bem sob pressão.
Ou não estaria aqui agora, nos braços do meu chefe.
Porque aparentemente não aprendi exatamente nada desde que descobri que Lucas é casado. Desde que fizemos nosso acordo de manter distância o máximo possível.
E agora estou aqui, pressionada contra o peito dele, exatamente onde jurei que não voltaria a estar, sentindo o calor dele, o perfume misturado com algo que é só dele.
Algo que meu cérebro idiota já memorizou muito bem.
E ele, ao invés de me empurrar ou me repreender… me abraça de volta.
Como se também tivesse esquecido que isso não pode acontecer.
Eu deveria me afastar. Imediatamente. Mas, por um segundo, me permito aproveitar.
Porque é exatamente como lembrava.
O calor. O cheiro. A sensação perigosa de segurança nos braços de alguém que não deveria me fazer sentir segura.
Mas quando sinto a respiração dele mudar, ficando mais lenta, mais pesada, sei que preciso me afastar.
Agora, Ivy.
É quando levanto o rosto que nossos olhares se encontram, e o ar simplesmente… desaparece.
Ele me encara com aquela intensidade que já conheço. A mesma que me fez esquecer meu próprio nome na boate.
E então… seus olhos descem para a minha boca.
Meu estômago dá um salto.
Não de novo.
Por favor, não de novo.
Porque sei exatamente o que vem depois desse olhar.
Sei como os lábios dele vão tomar os meus com fome, com desespero.
Sei como as mãos dele vão apertar minha cintura.
Sei como vou me trair e esquecer todas as razões pelas quais isso não pode acontecer.
E a pior parte?
Quero.
Mesmo sabendo que é errado. Mesmo sabendo que ele é casado.
Eu quero que ele me beije de novo.
— IVY!
A voz de Oliver corta o momento como uma faca, e me afasto de Lucas tão rápido que quase tropeço.
Ele solta os braços ao mesmo tempo, dando um passo para trás, e vejo a mandíbula dele travar.
Frustração? Alívio?
Talvez ambos.
A porta se abre com tudo e Oliver aparece, ofegante, emburrado.
— Ivy! Você demorou muito e eu pensei que… — ele para, olhando de mim para o pai. — Você vai embora?
Meu coração se aperta.
— O quê? Não! — digo rápido, me abaixando. — Claro que não vou embora!
— Mas você tava demorando — ele insiste, agarrando minha mão. — E as outras babás sempre iam embora depois que conversavam com o papai.
Seguro as mãos dele e sorrio, mesmo com o coração ainda disparado.
— Bem, eu não sou como as outras babás.
Mentira, sou pior.
Porque as outras não beijaram o chefe. Nem quiseram repetir, mesmo sabendo que é um erro horrível.
Por cima do ombro de Oliver, olho para Lucas.
Ele está parado, com as mãos nos bolsos, nos observando.
E, pela primeira vez, vejo um sorriso pequeno surgir no rosto dele.
Volto minha atenção para Oliver.
— Quer saber uma novidade? — pergunto, apertando de leve suas mãos.

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