A estrada está vazia, iluminada somente pelos faróis do carro e pelos postes que passam rápido demais.
Encosto a testa no vidro, tentando me distrair com a paisagem escura, mas é inútil ignorar a presença de Lucas ao meu lado.
O jeito como ele dirige com calma, uma mão firme no volante, a outra apoiada no câmbio.
Relaxado. Controlado demais. Como se nada no mundo pudesse tirá-lo do eixo.
Enquanto eu estou aqui, rígida no banco, tentando não surtar com o fato de que vou passar o Natal com a família dele.
Com Blair, que provavelmente sabe. Ou desconfia. Porque mulheres sempre sabem quando outra mulher olha para o marido delas… do jeito errado.
E, talvez… eu tenha olhado sem nem perceber.
Como se esse incômodo não bastasse… provavelmente vão me olhar e tentar entender por que estarei lá.
Afinal, tecnicamente, eu deveria estar de folga.
— Você está bem? — A voz de Lucas me arranca dos pensamentos.
Viro o rosto na direção dele, piscando algumas vezes.
— Estou.
— Tem certeza? — ele insiste, lançando um olhar rápido antes de voltar a atenção para a estrada. — Você ficou quieta demais.
— Só… pensando.
— Posso saber no quê?
Mordo o lábio, hesitante.
— Em como sua família vai reagir quando a babá do Oliver aparecer por lá com você.
— E… qual seria o problema disso, Ivy? — ele pergunta, genuinamente confuso.
— Eu não sei se isso é uma boa ideia — murmuro, finalmente encarando-o. — Não quero causar nenhum problema chegando assim, sem aviso, sem…
— Ivy — ele me interrompe, firme, mas calmo. — Você não vai causar problema nenhum.
Ele faz uma breve pausa.
— Minha família é tranquila. Eles sabem que Oliver te adora. Provavelmente estão curiosos para te conhecer.
Assinto devagar, tentando acreditar.
Mas o nó no estômago continua ali, firme, lembrando que nem todo mundo enxerga o mundo com a mesma simplicidade que Lucas.
Seguimos em silêncio por mais alguns minutos, até que ele diminui a velocidade e liga a seta, saindo da rodovia.
Franzo a testa.
— Onde a gente está indo?
— Preciso comprar uma coisa rápida — ele responde, estacionando em frente a uma loja de bebidas ainda aberta. — Não demoro.
Ele desliga o motor e sai do carro, me deixando sozinha, com o som distante do vento e do asfalto.
Aproveito o momento para respirar fundo, apoiando a cabeça no encosto.
Nada vai dar errado.
Repito isso mentalmente, como um mantra.
Mesmo sem ter tanta certeza assim.
A porta do motorista se abre e Lucas volta, segurando uma garrafa de whisky embrulhada em papel de presente.
— Pronto — diz, colocando a garrafa no banco de trás antes de se sentar novamente.
— Whisky? — pergunto, arqueando a sobrancelha.
— Meu pai só se preocupa com vinhos caros — ele explica, dando de ombros. — E eu preciso de um whisky decente se quiser sobreviver aos próximos dois dias.
Solto uma risada baixa.

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