Ela esboça um sorriso fraco, murmura algo que não consigo entender e fecha os olhos outra vez.
— Isso não é só bebida, Lucas — Owen diz, já pegando o celular. — A gente precisa levá-la ao hospital.
Fecho os olhos por um momento, tentando decidir o que fazer.
Mas tudo o que me vem à cabeça é a porra daquela foto tirada quando Oliver quebrou o braço.
Ivy não merece ser exposta de novo.
— Não — respondo, firme. — Vou levá-la para o meu apartamento.
— Lucas, o certo…
— Sei que é o certo, Owen — corto, sem tirar os olhos dela. — Mas se eu entrar num hospital com Ivy desse jeito, em menos de uma hora isso vai estar em todos os sites de fofoca. De novo.
Owen hesita por um instante, depois assente.
— Tá. Vou garantir que isso não vaze — responde, apontando para o homem caído no chão. — E esse cara não vai abrir a boca.
Olho para ele, reconhecendo o tom. Owen tem seus métodos e, mais do que nunca, confio completamente neles.
— Faça o que for necessário — respondo, já me afastando.
Caminho até meu carro com Ivy no colo. Abro a porta traseira e a deito no banco com cuidado, ajeitando a cabeça dela no apoio. Ela solta um suspiro baixo, mas não abre os olhos.
Fecho a porta e sento no banco do motorista, ligando o motor rápido demais. Minhas mãos ainda tremem no volante.
Respiro fundo, tentando me controlar, mas é inútil.
A raiva continua queimando dentro de mim.
O que aquele filho da puta teria feito com ela se eu não tivesse chegado a tempo?
Enquanto dirijo, aperto o volante com mais força, com a mandíbula tão tensa que chega a doer.
Pego o celular e disco o número para o qual não ligo há meses.
— Lucas? — A voz de Daniel surge no segundo toque. — São quase duas da manhã. O que…
— Preciso de você — interrompo, direto. — Agora.
— O que aconteceu?
— Alguém drogou uma… amiga. Ela está inconsciente. Preciso que você venha até o meu apartamento.
— Lucas, se ela foi drogada, o correto é…
— Sei qual é a porra do procedimento correto — corto, sem paciência. — Mas não posso levá-la para um hospital. Não agora.
Há alguns segundos de silêncio do outro lado da linha. Daniel me conhece há tempo suficiente para saber que não faço pedidos assim sem motivo.
— Estarei aí em quinze minutos — diz, por fim.
Desligo sem responder e jogo o celular no banco do passageiro antes de acelerar ainda mais.
Quando estaciono na garagem do prédio, meu corpo está tenso como uma corda prestes a arrebentar.
Saio do carro rápido, abro a porta traseira e pego Ivy no colo novamente. Ela solta um som baixo, quase inaudível, e vira o rosto contra minha camisa.
— Estou com você — murmuro, beijando sua testa. — Aguenta só mais um minuto.
Caminho até o elevador privativo e pressiono o botão com o cotovelo, mantendo Ivy firme nos braços.
As portas se fecham e o elevador sobe direto para o apartamento. Quando se abrem novamente, já estamos na sala.
Vou direto para o quarto e coloco Ivy na cama com cuidado, ajeitando os travesseiros ao redor do corpo frágil demais para tudo o que aconteceu hoje.
Sento na beirada da cama e passo a mão pelos meus cabelos, tentando controlar minha respiração.

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