“Ivy Collins”
Acordo devagar, com a sensação de ter um elefante sentado na minha cabeça. Minha boca está seca, com um gosto amargo que me faz franzir o rosto.
Onde estou?
Abro os olhos lentamente, piscando algumas vezes até conseguir focar no teto de um quarto que não é o meu. Viro a cabeça e encontro uma janela coberta por uma cortina enorme, entreaberta.
O céu continha escuro.
Tento me sentar, mas meu corpo dói inteiro. É quando noto a agulha presa ao meu braço, ligada a uma bolsa de soro. Meu coração dispara.
O que aconteceu comigo?
Viro a cabeça para o outro lado e fico ainda mais confusa.
Lucas está sentado na poltrona ao lado da cama, com os cabelos completamente bagunçados, como se tivesse passado as mãos por eles várias vezes. A camisa social está amarrotada e manchada de… sangue?
Quando me mexo novamente, Lucas se levanta rápido e vem até a cama.
— Ivy — ele diz, sentando ao meu lado. — Como você está se sentindo?
Minha garganta está seca demais para responder. Passo a língua pelos lábios, tentando organizar os pensamentos.
Ele se inclina, pega uma garrafinha de água na mesinha de cabeceira e me entrega. Tomo pequenos goles, sentindo o estômago embrulhar quase imediatamente.
— O que… aconteceu? — consigo perguntar, rouca.
Lucas hesita, fechando os olhos por um segundo. Quando os abre de novo, vejo algo diferente neles. Medo. Raiva. Culpa.
— Você foi drogada — diz, devagar, como se escolhesse cada palavra. — Alguém colocou alguma coisa na sua bebida ontem à noite.
Pisco algumas vezes, tentando processar.
Drogada.
Flashes começam a surgir na minha mente, desconexos, embaralhados.
A boate. Tiffany. Lucas no mezanino. Sophia acenando. A pista de dança. Claire me entregando um drink. A tontura.
E então… nada.
— Eu não lembro — murmuro, sentindo o pânico subir rápido demais. — Lucas, eu não lembro de nada depois de estar na pista.
Ele se inclina rapidamente, pegando minhas mãos com cuidado.
— Está tudo bem — diz, num tom baixo. — Você está segura. Eu te encontrei a tempo.
— A tempo? — repito, sentindo o estômago embrulhar de novo. — A tempo do quê, Lucas?
Ele fecha os olhos, e o maxilar se contrai imediatamente.
— Tinha um homem tentando te arrastar para um carro no estacionamento — responde, abrindo os olhos para me encarar. — Mas cheguei antes que ele conseguisse.
Alguém tentou me levar.
Drogada.
O mundo parece girar outra vez, e minha respiração falha.
— Respira, Ivy — pede, apertando minhas mãos. — Você está aqui comigo. Nada aconteceu.
Mas poderia ter acontecido. Se ele não tivesse chegado a tempo…
As lágrimas queimam meus olhos antes que eu consiga impedir.
— Ei, não — ele murmura, soltando uma das minhas mãos para afastar uma mecha do meu rosto. — Não chora, meu amor. Por favor.
Meu amor.



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