“Lucas Sinclair”
A empresa está exatamente como deixei: imponente, fria e impessoal.
Cruzo o saguão principal sentindo os olhares dos funcionários grudados em mim, como se estivessem vendo um fantasma.
As portas do elevador se fecham, e eu respiro fundo.
Cinco dias.
Cinco dias longe das reuniões intermináveis, dos relatórios, das expectativas. Cinco dias apenas existindo, aproveitando a calmaria ao lado das duas pessoas mais importantes da minha vida.
E agora estou de volta.
Quando as portas se abrem no meu andar, a primeira pessoa que vejo é minha secretária, que quase deixa a xícara de café cair ao me reconhecer.
— Sr. Sinclair! — exclama, ajeitando os óculos. — Eu… não esperava vê-lo hoje.
Assinto e sigo pelo corredor, sentindo os olhares curiosos me acompanharem.
Ela vem atrás de mim, tentando acompanhar meu ritmo.
— Precisa que eu reorganize sua agenda? — pergunta, levemente ofegante. — Cancelei todos os compromissos desta semana quando o senhor avisou que não viria, mas posso remarcar tudo para…
— Não — interrompo, parando diante da sala de Owen. — Mantenha tudo como está. Vou resolver algumas coisas primeiro.
Abro a porta e entro.
Owen está sentado à mesa, cercado por uma pilha de documentos e uma expressão que não promete nada de bom.
— Você demorou — diz, sem levantar os olhos dos papéis.
— Vim assim que recebi sua mensagem — respondo, fechando a porta. — O que aconteceu?
Ele finalmente me encara, e a tensão no seu rosto é impossível de ignorar.
— Blair contratou um advogado.
— E?
— E não é qualquer advogado. É Dominic Hale.
O nome me faz pressionar as têmporas.
Dominic Hale. O melhor advogado de direito de família de Nova York. Implacável, caro e conhecido por transformar divórcios em guerras sangrentas.
— Ela está levando isso a sério — murmuro, passando a mão pelo cabelo.
— Mais do que isso — ele desliza um documento na minha direção. — Ela está jogando sujo.
Pego o papel e começo a ler.
Blair não está apenas contestando o divórcio. Ela está pedindo a guarda exclusiva de Oliver, alegando que sou um pai ausente e negligente.
A raiva percorre minhas veias no mesmo instante.
— Ela não pode estar falando sério.
— Está. E tem mais. — Owen se levanta e cruza os braços. — Minhas fontes descobriram que Blair contratou um investigador particular para reunir “provas” contra você. Qualquer coisa que possa usar no tribunal.
— Provas? — repito, incrédulo. — Que tipo de provas?
— Seu envolvimento com a Ivy, para começar. Ela vai alegar que você abandonou a família por um caso com a babá. Vai pintar você como o vilão, Lucas. E, pior, vai usar Oliver como munição.
Aperto os punhos, sentindo a raiva subir como fogo.
— Ela nem liga para o Oliver. Nunca ligou.
— Eu sei. Você sabe. Mas o tribunal? — Owen balança a cabeça. — Ela vai se vender como a mãe dedicada que foi traída e abandonada pelo marido infiel. E você sabe como isso funciona. A narrativa dela pode soar… convincente.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO