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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 182

O sol já se despedia no horizonte quando Lorenzo e Isabella atravessaram o corredor de flores sob uma chuva de pétalas, recebendo aplausos, abraços e sorrisos. O céu estava pintado em tons de laranja, rosa e dourado, e a fazenda parecia envolta em uma atmosfera mágica, como se todo o universo tivesse se reunido ali para abençoar aquele amor.

À medida que se aproximavam das mesas dispostas no gramado, os convidados seguiam atrás, ainda comentando emocionados sobre os votos que haviam acabado de ouvir. O caramanchão iluminado com pequenas luzes cintilantes lembrava um céu estrelado em miniatura, e o contraste com as flores do campo que decoravam as mesas criava um cenário de conto de fadas.

Maria, com o avental ainda preso à cintura, secava as mãos no pano bordado enquanto observava a cena de longe, orgulhosa. Ao lado dela, Dona Flora sorria satisfeita, como quem via diante de si um sonho antigo finalmente concretizado. A neta tinha perdido os pais muito jovem e acompanhou de perto a dor do luto da neta, mas Isabella jamais se entregou, sempre foi uma menina forte, cheia de vida e com vontade de ser feliz. E vê-la ali, ao lado do homem que amava e feliz, era um verdadeiro sonho.

As mesas estavam repletas de quitutes caseiros: pão de queijo ainda quente, empadas douradas, bolinhos de milho, fatias de bolo de fubá com coco e travessas de carne assada que exalavam um aroma irresistível. No centro, uma mesa maior guardava o bolo de casamento: três camadas brancas, decoradas com flores naturais e pequenas rendas de açúcar, feito por Maria e Antonella, que haviam passado a madrugada ajudando na confeitaria.

Aurora correu até os pais, os cabelos soltos voando com o vento da tarde.

— Mamãe, papai! — gritou, abraçando as pernas de Lorenzo. — Está tudo tão lindo! Eu nunca vi tanta flor junta assim!

Isabella riu, abaixando-se para apertar a filha contra o peito.

— E quem você acha que está mais linda hoje? — perguntou, piscando um olho.

Aurora colocou um dedo no queixo, pensativa, e respondeu:

— A mamãe! Mas o papai também está bonito… só que eu acho que ele está bonito porque está com você.

O comentário espontâneo arrancou gargalhadas de todos os que estavam por perto. Lorenzo pegou a filha no colo, erguendo-a alto.

— Então quer dizer que eu só fico bonito porque estou com a mamãe? — provocou, com um sorriso divertido.

— Sim! — Aurora confirmou, balançando a cabeça. — Mas eu gosto assim!

As pessoas foram se acomodando às mesas, e a música suave de um violão preencheu o ambiente. Marco levantou sua taça de vinho, chamando a atenção dos presentes.

— Eu preciso dizer. — começou ele, olhando para Lorenzo —, que nunca imaginei ver meu amigo tão feliz quanto hoje. Isabella, você devolveu a ele a alegria que todos nós achávamos que tinha se perdido.

Cristina, emocionada, completou:

— E nós ganhamos mais do que uma cunhada… ganhamos uma irmã, uma filha, uma amiga.

Isabella sorriu com lágrimas nos olhos, enquanto Aurora aplaudia animada. O clima era de pura celebração.

Logo o jantar foi servido. Todos se deliciavam com os pratos preparados com carinho: arroz soltinho, salada fresca colhida da horta da fazenda, frango assado temperado com ervas e uma travessa de leitão pururuca que fez sucesso entre os mais gulosos. Maria circulava entre as mesas, certificando-se de que todos estavam servidos, e recebia elogios calorosos pelos temperos que só ela sabia equilibrar.

Beatriz e Giulia não largavam Isabella. A prima e a cunhada, se revezavam entre elogios ao vestido e piadinhas que faziam a noiva corar.

— Se prepare. — disse Beatriz, rindo —, porque agora vai ter fila de gente pedindo dicas de como conquistar um homem como o Lorenzo.

— Isso se ele não assustar todo mundo antes com aquele jeito sério — provocou Giulia, piscando para o irmão.

Lorenzo apenas revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso orgulhoso ao olhar para Isabella.

Enquanto isso, Aurora corria entre as mesas, com o fiel Biscoito atrás dela. O cachorrinho parecia tão animado quanto a dona, abanando o rabo e latindo cada vez que alguém chamava por ele. Em certo momento, Aurora subiu em uma das cadeiras e anunciou:

— Eu sou a princesa dessa festa! Mas a rainha é a mamãe, e o rei é o papai!

Todos riram e aplaudiram, e Isabella sentiu o coração se aquecer ao ver a filha tão feliz e espontânea.

Marco arregalou os olhos, surpreso, mas acabou rindo, balançando a cabeça como quem sabia que não teria como negar.

Mais tarde, foi a vez do bolo. Aurora ajudou os pais a cortarem a primeira fatia, lambuzando os dedinhos de glacê e rindo alto quando Biscoito tentou roubar uma lambida.

Giulia e Beatriz, claro, não perderam a oportunidade de brincar:

— Aposto que até o bolo está com inveja desse casal. — disse Giulia.

— Ou melhor, está feliz de ser cortado por eles. — completou Beatriz, arrancando gargalhadas.

A noite avançava, mas ninguém parecia querer ir embora. As conversas se estendiam em cada canto: Antonella contava histórias antigas da família, Dona Flora compartilhava receitas, Marco e Theo conversavam animados, e Aurora corria de um lado para o outro, sempre levando sorrisos com ela.

Quando a lua já brilhava alta no céu, Isabella se afastou por um momento, observando tudo à sua volta. Viu sua filha gargalhando, sua sogra abraçando Cristina, seus amigos brindando, os convidados celebrando como se fossem uma só família. Sentiu as mãos fortes de Lorenzo tocarem as suas, puxando-a delicadamente para perto.

— O que está pensando? — ele perguntou, beijando sua têmpora.

— Que nunca imaginei que poderia ser tão feliz. — respondeu ela, com a voz doce. — Mas agora eu sei… tudo valeu a pena para chegar até aqui.

Ele a envolveu num abraço apertado, como se quisesse gravar aquele momento para sempre.

— E ainda temos uma vida inteira pela frente, Isabella. Uma vida para amar, cuidar e crescer juntos.

Ela sorriu, repousando o rosto contra o peito dele.

E assim, sob o luar da fazenda, com risos, música e amor preenchendo cada espaço, a festa continuou até tarde da noite, não apenas como um casamento, mas como um verdadeiro marco de recomeço, um lembrete de que o amor sempre encontra um caminho.

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