(Visão de Rafael)
Minha mente não parava de vagar para os nossos corpos juntos… aquele momento. Não achei que fosse acontecer, só pensei em ir, vê-la, beijá-la… mas sentir o seu corpo daquela forma…
Um suspirou pesado deixou meus lábios.
Uma batida suave na porta me puxou de volta. Era minha mãe, com seu rosto marcado pela preocupação que se tornou permanente ultimamente.
— Rafael, o Raul tá tentando te ligar. Disse que seu celular tá desligado.
Merda. Tirei o aparelho do bolso.
A tela estava preta, morta. Tinha esquecido de carregar no turbilhão do dia.
— Tá bom, mãe. Fala pra ele que eu ligo agora.
Ela acenou e saiu, fechando a porta com cuidado. Conectei o carregador na tomada ao lado da cama com movimentos bruscos e liguei o celular.
Os segundos que ele levou para ligar foram uma eternidade. Assim que a tela acendeu, mostrando sinais de vida, disquei para o Raul.
Ele atendeu na primeira chamada, com sua voz tensa e direta.
— Chefe. Thales mandou uns homens no apartamento da Marilene em São Paulo.
Meu coração deu um salto.
— E aí?
— Aí a gente usou a IA de novo. Quando ele ligou furioso depois, a voz falsa da Marilene conseguiu enganar ele. Fez ele acreditar que ela tinha um amante lá, que tava com outro homem. Ele deve ter ficado ainda mais puto, porque a gente descobriu outra coisa, que a Marilene não é só amante. Ela é mãe.
A informação caiu como uma bomba.
— Mãe? de quem? De um filho do Thales?
— Exatamente. Eles tem um filho e o menino, pelos nossos dados, deve ter uns cinco anos. Fora do casamento… isso significa que ele conhece essa Marilene há muito tempo.
Eu arregalei os olhos, sentando na beira da cama. Um filho. Thales tinha um filho secreto. Isso… isso mudava tudo.
Era uma vulnerabilidade que eu nunca imaginei.
— Onde está essa criança?
— O pessoal do Alessandro já tá na caça. Pelo que estamos vendo, o menino tá muito bem escondido. Provavelmente num colégio interno caríssimo, com identidade blindada. Mas eles vão achar. É questão de tempo.
Um filho.
Thales tinha escondido um filho. E se ele tinha escondido, era porque se importava. Ou porque a criança era uma arma contra ele. De qualquer forma, era uma peça fundamental no tabuleiro.
— Isso muda tudo, Raul — disse, sentindo as engrenagens começarem a girar mais rápido na minha cabeça.
— Muda e não é só isso — ele continuou, o tom ficando mais grave. — A gente tava fuçando as contas dele, os extratos que o infiltrado do Eduardo passou. Tem um extravio de dinheiro grande. Dinheiro que era pra ir pros cofres dos Doze Selos. Pelo jeito, o Thales tá desviando. Tá roubando a própria facção.
Caralho. O cara não tinha limites. Era um risco ainda maior.
— Se os caras descobrirem… — comecei.
— Já descobriram, chefe — Raul cortou. — Homens invadiram o apartamento dele em São Paulo hoje à noite. Esses homens eram dos Doze Selos. Tá todo revirado, eles estão atrás dele.
Uma onda de adrenalina fria me percorreu.
A guerra não vinha mais só da nossa direção. Thales tinha inimigos muito mais perigosos e impiedosos do que eu.
E esses inimigos agora estavam soltos, e sabiam onde ele estava, ou pelo menos, onde ele guardava suas coisas.
— Então a gente tem que se preparar pra uma guerra em duas frentes — resumi, com a mente trabalhando a mil. — E pode ser que os Doze Selos façam o serviço sujo pra gente, se acharem o Thales antes. Mas…
Uma ideia, cruel e esperta, começou a se formar.
— Mas a gente pode dar uma ajudinha. Podemos começar a jogar umas pistas, de forma anônima, claro, sobre o desvio de dinheiro. Sobre a covardia dele em roubar os próprios aliados. Aquecer ainda mais o clima pra eles.
Raul ficou em silêncio por um segundo, considerando.
Ir para a empresa, colocar a cabeça no lugar e ser o CEO, não o homem obcecado que mal conseguia respirar longe dela.
Mas quando a mensagem veio dos meus homens mais cedo, dizendo que o carro dela tinha saído de casa e estava indo em direção à empresa… a lógica foi por água abaixo.
O risco era enorme. Thales tinha homens vigiando e qualquer passo em falso podia custar caro. Mas a chance de vê-la, mesmo que por segundos, de ter a confirmação física de que ela estava bem ou o mais bem possível, de passar aquela mensagem… foi mais forte.
Eu ainda conseguia sentir o seu peso no meu colo, o calor dela me envolvendo, o ritmo desesperado dos nossos corpos tentando fundir um no outro ali mesmo, contra a parede, com o mundo do lado de fora tentando entrar.
Meu Deus.
Quando eu ia poder ter aquilo de verdade? Quando eu ia poder deitá-la numa cama, com tempo, com luz, e explorar cada centímetro daquele corpo que me tirava o juízo?
Beijar cada curva, ouvir cada gemido sem ter que abafá-lo, fazer ela perder a voz gritando meu nome sem medo?
A ereção, que tinha ameaçado antes, agora era completa e dolorosamente rígida, pressionando contra a calça.
Suspirei, passando a mão no rosto. Era inútil. Pensar nela era um caminho sem volta para a loucura física.
Tentei me concentrar no plano, na mensagem que eu tinha que passar. Nos documentos disfarce. Mas mesmo quando ela entrou na sala, mesmo na tensão do momento, meu corpo reagiu a ela de uma forma primitiva, instantânea.
E quando a puxei para aquele beijo… foi como acender um pavio que já estava a um milímetro da dinamite.
Agora, sozinho de novo no meu quarto, o corpo ainda vibrando com o eco do orgasmo compartilhado, o desejo era uma ferida aberta.
Focar no trabalho? Era piada. Cada célula do meu corpo pedia por ela.
Pedia para voltar lá, arrombar a casa onde ela estava e simplesmente tomá-la de novo, até os dois desmaiarem de exaustão.
Mas eu não podia. Eu tinha que ser o general, não o soldado guiado pela… pela outra cabeça.
Respirei fundo, forçando-me a pensar nas planilhas, nos números, na operação de resgate da Joyce. Em qualquer coisa que não fosse o sabor dela, o cheiro, a sensação dela se despedaçando na minha boca.
Foi uma batalha perdida. Com um gemido de frustração, me joguei na cama e cobri os olhos com o braço.
Amanhã. Depois de amanhã. Logo, eu ia ter ela. E quando tivesse, nenhum de nós ia conseguir andar direito por uma semana.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra
Cadê o capítulo 470???¿ Cadê o capítulo 473???????...
Onde está o capítulo *470* ?????????...
Kde o 470 ??? Aguardando...
É impressão ou a história ficou com partes puladas e sem detalhes ?...
Eita ela postou capítulos de outro livro é pacabá né...
Onde está o capítulo 419?...
Está chato continuar essa leitura mesmo no grátis só ler por metades quando atualiza tem uma tal de desvende os mistérios puta que pariu....
Afff piorou, agora não são dois, é nadaaaa!!!...
Vou fazê-lo novamente!!!! Dois capítulos por dia é um desrespeito!!!...
Ué cadê meu comentário?...