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Aliança Provisória - Casei com um Homem apaixonado por Outra romance Capítulo 438

Era uma promessa que eu fazia a mim mesmo, e a única coisa que me ajudava a aguentar mais uma noite de distância e desejo insuportável.

A tarde e o começo da noite foram uma tentativa fútil de imersão no trabalho. Eu tinha espalhado papéis pela cama, o laptop aceso com planilhas intermináveis, mas os números não faziam sentido.

Minha mãe trouxe o jantar e deixou em cima da cômoda com um olhar preocupado. Comi mecanicamente, sem sentir o gosto direito.

E o cansaço começou a bater, mas era um cansaço nervoso, daqueles que não leva ao sono.

Estava começando a guardar os papéis, decidindo que era inútil continuar, quando o celular vibrou, dançando sobre a colcha. O nome que apareceu fez meu sangue correr mais rápido: Glayce.

Respirei fundo, tentando me preparar para más notícias. Atendi.

— Fala.

Do outro lado, a voz da Glayce era calma, quase plana. Demasiadamente calma.

Mas eu conhecia aquela mulher há tempo suficiente para ouvir o que ela não dizia. A sua respiração, um pouco mais ofegante do que o normal, me entregou.

— Rafael, escuta com calma — ela começou, e meu corpo inteiro já se preparou para o golpe. — O Thales descobriu alguma coisa. Não sei o que, mas ele chegou em casa e… bateu na Lorena. Feio.

Eu já estava de pé antes que ela terminasse a frase.

Um rugido surdo de fúria subiu pela minha garganta.

— O que aquele filho da puta fez com ela? Onde ela tá? Tô indo aí agora!

— Não, Rafael! — a voz dela cortou, firme. — Não pode sair de casa. Com certeza ele mandou gente te vigiar, e ao irmão dela também. Eles vão usar vocês como iscar, tentando achar onde ela se escondeu. A gente precisa agir pelas sombras agora. Qualquer movimento teu vai ser visto.

A lógica dela era de ferro, mas cada palavra era um prego no meu peito. Ela estava machucada, e eu tinha que ficar parado.

— Ela… ela tá como? — a pergunta saiu rouca, carregada de um medo que me deixava nauseado.

— Ela tá bem. Conseguiu fugir com a Alana e agora estamos no esconderijo. O médico já veio. Ela apanhou feio, Rafael. Tem costelas machucadas, concussão, a mão queimada… mas o médico diz que, com descanso e os remédios certos, ela vai ficar bem. Nada que ameace a vida.

Nada que ameace a vida.

A frase deveria me acalmar, mas só fez a raiva crescer. A imagem da Lorena, frágil e forte ao mesmo tempo, machucada, sangrando…

— Eu deveria estar com ela — disse, com minha voz soando fraca até para mim.

— E você vai estar, mas não agora. Agora, seu trabalho é avisar o irmão dela, o delegado. Diga pra ele agir com discrição total também. E fique na sua.

Eu fechei os olhos, sentindo o peso esmagador da impotência. Ela estava certa. Cada instinto meu gritava para correr até lá, mas seria colocar tudo a perder.

— E a Alana? — perguntei, com o coração apertando de um jeito diferente.

— Assustada. Mas é tão forte, essa menina. Não saiu do lado da mãe um minuto. A Lorena tá sedada agora, dormindo. A criança vai ficar bem.

— Tomem conta delas, Glayce. Qualquer coisa, qualquer coisinha, você me liga. Não importa a hora.

— Pode deixar. Já tô fazendo isso.

— Quantos homens tem aí?

Ela fez uma pausa rápida, calculando.

— Uns vinte, pelo que consegui contar nos pontos. O suficiente pra segurar uma investida média.

— Vou mandar mais. Mas eles vão chegar aos poucos, em grupos pequenos, em horários diferentes. Para não levantar suspeita.

— É o melhor. — Ela fez uma pausa. — Ela é forte, Rafael. Mais forte do que a gente imagina. Ela sobreviveu e agora a gente garante que ela se recupere.

Ela desligou.

Fiquei parado no meio do quarto, com o celular ainda grudado no ouvido, ouvindo o silêncio da linha morta.

A raiva era um ácido queimando por dentro. O desejo de violência contra o Thales era tão físico que minhas mãos formigavam.

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