Família Walker
Os dias passavam e, pouco a pouco, Lily se aproximava cada vez mais das obras sociais coordenadas por Elizabeth. A jovem demonstrava ternura com as crianças do orfanato, ajudava com afinco nas tarefas e sabia como transparecer humildade. Elizabeth, sempre atenta, notava aquele cuidado quase espontâneo.
Foi numa tarde chuvosa que o destino ou, melhor dizendo, o plano de Logan abriu a porta definitiva.
Na sala principal da mansão, Elizabeth se despedia de Clara, uma das babás mais antigas da família. A moça estava com os olhos marejados e segurava a mão de Emily com força.
— Eu sinto muito, senhora Elizabeth… mas minha mãe adoeceu gravemente, e preciso voltar para o interior — disse Clara, com a voz embargada. — A senhora e as crianças sempre foram como uma segunda família para mim, mas não posso abandoná-la agora.
Elizabeth a abraçou com sinceridade, emocionada.
— Eu entendo, querida. Sua mãe precisa de você, e é para onde deve ir. Nós vamos sentir muito a sua falta, mas saiba que as portas da nossa casa estarão sempre abertas quando quiser voltar.
Mary e Anthony estavam cabisbaixos, enquanto Luke e Luize estavam agarrados à saia de Clara e Emily chorava baixinho.
— Eu não quero que a Clara vá embora… — soluçou a Luize, escondendo o rosto no vestido de Clara.
Elizabeth se ajoelhou diante da filha e a abraçou.
— Minha princesa, às vezes precisamos deixar as pessoas que amamos partirem, mas isso não significa que nunca mais vamos vê-las. Clara vai nos visitar, e você vai poder mostrar todos os desenhos novos para ela, está bem?
Luize fungou, ainda triste, mas acenou com a cabeça.
Assim Clara se despediu das crianças abraçando uma a uma e com muitas lágrimas viu sua babá desde que nasceram ir embora, mas com a promessa de que quando pudesse ela retornaria.
*****
Na manhã seguinte, durante uma visita ao orfanato da paróquia, Elizabeth encontrou novamente Lily, que ajudava a organizar brinquedos doados. A jovem sorria para cada criança que se aproximava, sentando-se no chão para brincar sem pressa, como se aquele fosse seu mundo natural.
Elizabeth observava à distância, pensativa. Padre Robert, que acompanhava a cena, comentou em voz baixa:
— Essa menina tem um coração generoso. Chegou sem pedir nada, apenas querendo ajudar.
Elizabeth sorriu levemente.
— Ela tem um jeito… muito raro.
*****
Dois dias depois, Lily foi convidada para conhecer a mansão. A princípio, achava que seria apenas mais uma visita voluntária, mas Elizabeth a chamou para uma conversa no escritório.
— Lily — começou Elizabeth, sentando-se diante dela — você já sabe que uma de nossas babás precisou partir para cuidar da mãe doente. As crianças ficaram muito apegadas a ela, e isso abriu uma lacuna difícil de preencher.
Lily arregalou os olhos, surpresa, mas manteve o tom humilde.
— Entendo, senhora Elizabeth… sinto muito pela sua família.
Elizabeth se inclinou para frente, olhando-a com gentileza.
— Eu tenho observado seu trabalho com as crianças. Sua paciência, sua dedicação, a maneira como consegue se conectar a elas… Isso é raro. Gostaria de saber se você aceitaria trabalhar aqui, conosco, cuidando dos meus filhos.
Por um instante, Lily fingiu hesitar, mordendo o lábio inferior.
— Eu… eu ficaria honrada. Mas será que estarei à altura? Não quero decepcionar.
Elizabeth sorriu, tocando sua mão com firmeza.
— Já provou que tem tudo o que é preciso. E aqui não vai estar sozinha, tem mais duas babás e terá nosso apoio em tudo.
Mary, que observava a cena à porta, correu até Lily e a abraçou, sem cerimônia.
— Você vai ser nossa nova babá? Que bom!
Emily, ainda com os olhinhos vermelhos de tanto sentir falta de Clara, olhou para Lily timidamente. A jovem se agachou e, com voz doce, disse:
— Eu prometo cuidar de vocês com todo o carinho.
Emily sorriu pela primeira vez em dias e a abraçou de surpresa.
Elizabeth suspirou aliviada.
— Então está decidido. Bem-vinda à família, Lily.
*****
Lily
Assim que saiu da mansão, Lily ligou para Logan, a voz dele veio firme pelo telefone:
— Conseguiu?
John a abraça com carinho e sério acrescenta:
— Só quero garantir que nada nem ninguém ameace nossa família.
*****
Lily
Na manhã seguinte, Lily entra na mansão Walker com passos tímidos, os olhos cheios de gratidão ensaiada. Elizabeth a acolheu com a gentileza que lhe era natural, apresentando-a às crianças como se fosse uma nova amiga da família.
No início, Lily mantinha-se discreta, ajudando nas pequenas tarefas: guardava brinquedos, acompanhava as leituras infantis, auxiliava nas tarefas de casa e na disciplina imposta pelos Walkers. Mas logo, sua astúcia encontrou caminho para o coração daquelas crianças.
Anthony, sempre curioso, adorava suas histórias de infância, que Lily contava com dramaticidade, como se tivesse vivido grandes aventuras.
— Você já caçou vagalumes de verdade? — perguntava, os olhos brilhando.
— Centenas — respondia ela, rindo. — Posso ensinar como fazer um pote de luzes só para você e seus irmãos.
Mary, delicada e sensível, sentia-se protegida pela atenção da jovem. Lily a elogiava, penteava seus cabelos e a ouvia falar dos sonhos de ser pianista como a mãe, guardando cada palavra como munição.
Os gêmeos, Luke e Luize, tornaram-se inseparáveis dela. Lily sabia inventar jogos, criar mundos de fantasia, e sua risada parecia se misturar à deles de forma natural.
Até a pequena Emily, de um ano e meio, estendia os bracinhos sempre que Lily se aproximava, sorrindo com inocente confiança.
Elizabeth observava tudo com ternura. Era raro encontrar alguém que tratasse seus filhos com tanta paciência e alegria.
— Lily, você tem um dom — disse certa vez, enquanto tomavam chá na varanda. — As crianças a adoram. É como se sempre tivesse feito parte de nós.
Lily baixou os olhos, escondendo o sorriso satisfeito.
— Senhora Walker, não sabe o quanto suas palavras significam para mim.
No fundo, sabia exatamente o que significavam. Cada gesto de confiança, cada afeto conquistado era uma vitória silenciosa.
As outras duas babás, Dolores e Susan a acolheram bem, mas as duas não simpatizam logo com ela, apesar das crianças gostarem muito das duas, ficou nítido que a recém chegada queria conquistar o carinho e confiança das crianças. Mas aos poucos, com a simulada humildade e desejo de ajudar, acabou ganhando as duas.
À noite, no entanto, quando se recolhia ao pequeno quarto reservado para ela, Lily trocava o semblante doce por um olhar frio. Anotava em um caderno escondido tudo o que aprendera: os horários de estudo das crianças, suas preferências, os momentos em que John estava ausente, as fragilidades de Elizabeth como mãe protetora.
E então, passava suas anotações a Logan.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amargo Contrato de Casamento
Olá, quero deixar aqui meus sinceros parabéns por essa linda história, eu amei. Que Deus abençoe vc e toda a sua família...
História linda e emocionante como a fé e o amor são capazes de transformar vidas....
Maravilho...