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Amargo Contrato de Casamento romance Capítulo 182

O endereço do salão era em uma das áreas mais sofisticadas da cidade, frequentado por mulheres da alta sociedade. Ao se apresentar na recepção, a atendente, uma jovem de uniforme impecável, lhe lançou um olhar quase cúmplice.

— Senhora Hamilton, venha comigo. Sua profissional já a aguarda.

Pamela inclinou levemente a cabeça e a seguiu. Passaram por um salão luxuoso, cheio de mulheres elegantemente sendo atendidas por um batalhão de profissionais. A jovem abriu a porta de um reservado.

— Por favor, aguarde. Ela já vem atendê-la.

Assim que ficou sozinha, Pamela avaliou o espaço. Havia espelhos altos, iluminação branda, cadeiras confortáveis, nada diferente dos salões que costumava frequentar.

Poucos minutos depois, uma mulher de cerca de quarenta anos entrou, trajando um uniforme branco impecável. Tinha um sorriso discreto e um olhar firme.

— Senhora Hamilton, sou Kate. Sente-se, por favor.

— Você tem algo para mim? — Pamela foi direta.

Kate indicou a cadeira, e enquanto Pamela se acomodava, retirou do bolso do jaleco um envelope dobrado. Entregou-o com naturalidade.

— Vou preparar tudo para o seu procedimento. Quando estiver pronta, basta apertar aquele botão. — apontou discretamente para a lateral da mesa.

— Muito obrigada. — Pamela sorriu, mantendo a aparência de cliente exigente.

Assim que Kate saiu, ela abriu o envelope. O nome na primeira página a fez arregalar levemente os olhos.

David Graham.

À medida que lia, seus olhos cintilavam.

David Graham fora dono de uma empresa de tecnologia com contratos secundários junto ao grupo Walker, especializado em criptografia. Mas, ao usar a plataforma para fins ilícitos, John o expôs publicamente. Sem credibilidade, afundou em dívidas.

O que mais chamou a atenção de Pamela foi a revelação de que ele havia tentado sequestrar Elizabeth.

Ela recostou-se na cadeira, surpresa. Nunca ouviu nada a respeito. Voltou a ler, fascinada.

David foi descoberto como mandante, mas antes da prisão foi brutalmente espancado e teve as duas pernas quebradas. Um comentário em destaque sugeria que aquele “aviso” teria vindo diretamente de John Walker.

Pamela lembrou das flores murchas que recebeu, tentativa frustrada de intrigar o casal.

— Como fui ingênua… — murmurou.

Seguiu lendo. David cumpriu dez anos de cadeia e agora estava em liberdade condicional, sobrevivendo de pequenos golpes cibernéticos. No final do dossiê, um número de telefone aparecia escrito à mão.

O sorriso de Pamela se alargou.

— Logan, você não me decepcionou.

Ela pegou seu telefone secreto e ligou para o número indicado. Quando Pamela pensou que a ligação iria cair, uma voz desconfiada atendeu.

— Como conseguiu esse número?

— Um amigo o recomendou. — disse ela com calma.

— E que amigo seria?

— Um que prefere não ser identificado. — Pamela apoiou o queixo na mão, como se conversasse casualmente. — Assim como você, ele também não gosta de deixar rastros. Mas me garantiu que poderia me ajudar.

— Ajudar em quê?

— John Walker. Soube que você tem contas mal resolvidas com ele.

Do outro lado da linha, houve um silêncio pesado. Depois, a voz veio carregada de rancor.

— Tem toda a minha atenção.

Pamela sorriu friamente.

— Mas antes, até onde você estaria disposto a ir?

— Wattson?… — repetiu, com hesitação. — Aqui já passaram tantas crianças, meu filho. Mas não me lembro desse nome.

Ryan insistiu, mostrando uma cópia do registro.

— Segundo os papéis, ela viveu aqui por mais de dez anos. Deve ter deixado lembranças.

A senhora ajustou os óculos e balançou a cabeça.

— Não, não me recordo. Talvez alguma funcionária mais antiga saiba… mas estive aqui a maior parte do tempo, e esse rosto… nunca vi. — Disse ela olhando a fotografia que Ryan lhe mostrou.

Ryan agradeceu, mantendo o disfarce de pesquisador, mas ao sair anotou mentalmente a primeira contradição. Ou a memória dela falha… ou os documentos são falsos.”

Decidiu tentar outro caminho. Na praça, aproximou-se de um grupo de idosos sentados em um banco, jogando dominó. Puxou conversa, oferecendo cigarros e escutando as histórias do passado. Paciente e entre risos e causos, lançou a pergunta:

— E a moça Lily Wattson? Cresceu por aqui, não foi?

Um dos homens coçou a cabeça.

— Wattson?… Não lembro de nenhuma família com esse nome por essas bandas.

Outro retrucou:

— Se fosse órfã, teria passado pelo Santa Maria. E se passou… não durou, porque ninguém nunca falou dessa tal Lily.

Ryan sorriu, disfarçando a tensão. A cada resposta, a história da jovem se tornava mais nebulosa.

No fim da tarde, hospedou-se num hotel da cidade. Sentou-se à mesa do quarto, espalhou os papéis e fez anotações rápidas. Até aquele momento, não havia encontrado uma só pessoa que confirmasse a presença de Lily no passado.

Antes de desligar o celular para a noite, gravou uma mensagem criptografada para Carlson:

— Primeiro dia de investigação. Nenhuma prova de que Lily viveu aqui. Nem no orfanato, nem na cidade. Todos dizem não se lembrar dela. Continuarei com registros locais e arquivos da igreja. Até agora, os dados parecem fabricados.

Guardou o aparelho, deitou-se na cama e encarou o teto, não tinha dúvida essa Lily Wattson, nunca morou naquela cidade, mas ainda tinha que investigar mais. A dúvida crescia: quem era Lily Wattson, afinal?

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